quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

TEMPO/ESPAÇO

Mais um ano indo embora
para que outro ano venha
 nos conduzir pelo tempo
Mas nossa trajetória ocorre
nos parâmetros do tempo
ou nas lacunas do espaço?


Enfim, seja como for, desejo a todos: amigos conhecidos e desconhecidos;
amigos de toda ordem, aos inimigos se por acaso alguém considerar-se assim,
um feliz e maravilhoso 2016.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

VERSOS

Naquele tempo,  os versos
andavam em meu redor;
éramos quase íntimos:
deles, eu pouco sabia,
mas de mim sabiam
eles mais da conta...
Apesar da proximidade,
eles guardavam coisas
distante do meu alcance,
segredos que ainda hoje
eu tento decifrá-los...



sábado, 26 de dezembro de 2015

IDEIAS...

Eu ouvia isso quando jovem:
cabelos longos, ideias curtas
e pensava comigo; nada a ver!
Mas os cabelos perderam o viço
rarearam, embranqueceram...
Pois é, por  que era importante
manter as melenas longas?
Isso é cultura ou "curtura"?
Bem, acho que havia pouca
bagagem dentro da gente,
daí a necessidade imperiosa
de compensar a carência,
através de um grito inaudível...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

É NATAL, MAS...



Pretendia falar só de coisas boas
Nesta véspera de mais um Natal.
Gostaria de poder recitar o canto
de um povo contente e satisfeito
com o nível das coisas públicas,
resultantes de bons governos;
honrados, decentes, honestos.
Gostaria de falar em voz alta:
minha nação é um exemplo
a ser seguido pelos povos.
Entretanto, isto não é possível
porque a decência  foi embora
e credibilidade perdeu o sentido,
para a laia que nos governa.

domingo, 20 de dezembro de 2015

VIDA

O clérico admoestava a clientela
invisível da catedral às moscas:
necessário a brandura de espírito,
sobretudo nestes tempos árduos
de violência bruta por  toda a parte,
quando almas boas são ceifadas,
muitas vezes por motivos torpes.
O sacerdote embriagado com as palavras,
vermelho, reiterava com a voz empostada:
a existência é o grande bem doado pelo pai,
portanto toda a forma de vida é necessária
e imprescindível no projeto da criação...
Mas eis que de repente, no meio da prédica,
o religioso apavora-se, porque algumas abelhas
adentram o recinto, voando em sua direção...
Então, o homem de Deus ordena espavorido:
Meus filhos, matem estas pragas!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ESSAS CRIATURAS

Poemas são criaturas insubmissas
que não aceitam assim, à revelia,
a ditadura imposta pelo escriba;
transformando-os em marionetes
para regalar-se com os assédios
da galera consumidora de signos
da nossa inculta flor do Lácio.
Falando assim grosso modo
parece que poema tem alma.
Bem, disso certeza não tenho,
mas capricho, ah, isso eles têm!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A LAMA

Os olhos do mundo assistem atônitos
a lama do rio escorregando na direção
de outros rios, contaminando os vales,
conspurcando tudo  por onde passa,
matando a esperança, a qual era pouca.
A lama, a lama, a lama, a lama, a lama...
a lama soterrando tudo pelo caminho...
Pior que a lama que os olhos veem
é a lama invisível que está à nossa volta,
esta  que denigre o Congresso Nacional,
que impera  neste país há muito tempo,
que governa de norte a sul, de leste a oeste,
que transita nas mentes dos prevaricadores,
nos conglomerados privados sórdidos,
nas cabeça dos espertos-burros ególatras...



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

TEMPOS HODIERNOS

No meio tarde, de cheiro de éleo diesel,
da primeira segunda-feira de dezembro
um rapaz conduzia o filho no carrinho,
aos solavancos, pela calçada esquerda,
da  congestionada avenida Farrapos
sentido Humaitá →Centro Histórico.
Dir-se-ia que o homem carregava
no  veículo pontual  dos lactantes,
um saco de batatas ou quem sabe
algum item comprado na ferragem,
pois empurrava o dito protótipo,
distante, manipulando o celular...
concentrado na galáxia digital.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

TEMPOS MODERNOS

A festa estava bombando
mas os pombinhos ansiosos
queriam  que a farra acabasse
porque a noite então seria deles
no  quarto de núpcias do hotel
Mas, paciência, festa de casamento
é assim mesmo, sem hora para acabar
Os convivas enchendo o pandulho,
sem vontade de irem embora...
O casal fugiu pela porta dos fundos...
 Mal adentrando no quarto, ela pergunta
- Tu estas bem? Parece um pouco pálido.
- É. Aborrecido, porque esqueci do tablet!
- Amor, também estou mal, ela disse,
pois acho que perdi o  meu celular!
- Amada, resolveremos  a questão agora,
as lojas dos shoppings ainda estão abertas...