domingo, 30 de agosto de 2015

MORADA DA POESIA

Existem tantos blogs interessantes
na vastidão amiga da blogsfera
que dificulta ao visitante afoito
 destacar um, na seara diversa
de informação, lazer e excelência,
excetuando-se um provável melindre
aos blogueiros não decantados
em uma elegia ocasional, ligeira.
Perdoem-me meus camaradas de estrada,
mas o destaque de hoje vai para o simpático
blog "Puxe a cadeira e sente":
sala de visitas da decoração,
da nossa amiga Eva.
Entretanto, é mais que decoração,
há o espírito poético intrínseco
reinante naquele espaço.
Aos amigos e amigas que ainda não tiveram
a sorte de conhecê-lo, sugiro que visitem
e também percebam que a poesia mora lá.







quinta-feira, 27 de agosto de 2015

COMBINANDO CORES

Ela fazia  questão de combinar
as cores, na existência diária,
desde  detalhes mínimos,
até  abrangência mais ampla.
Começou com os tons sobre tons
casando a cor do casaco sobre a blusa
e desta em função da bolsa com a saia,
fechando a cor do cabelo com o sapato.
Depois combinou a tinta da unhas
com o tom dos pelos inferiores do corpo.
 Após a aquisição do carro verde limão,
usava roupas desta cor quando dirigia
o automóvel pelas ruas arborizadas.
Mais á frente, passou também a conectar
a cor das roupas com a cor dos alimentos
e com a pintura interna dos restaurantes
No estágio mais avançado da especialização
designou cores aos dias das semana,
aos prazeres hauridos e aos incômodos
que afligem uma alma mediana
Andava nua, dentro de casa, às segundas-feiras
porque segunda era cinza, cor detestável.
Não abria o consultório às terças,
porque terça era roxa, cor melancólica.
Quarta-feira era dia de sexo e rock'n'roul,
porque 4ª era vermelha, cor do prazer
Quinta-feira, dia de orações, porque lilás,
 cor dos anjos e da simbologia piedosa.
Os finais de semana eram dedicados à meditação,
porque eram dias azuis, cor do sonho
e das viagens astrais...





segunda-feira, 24 de agosto de 2015

MEUS POETAS

Meus amigos sabem
que amo  a poesia,
que não rejeito nada
no planeta dos versos.
Desde cedo,
tenho apreciado muitos,
mas citarei alguns,
nos quais me detive
mais demoradamente:
Já passei por Drummond,
Manuel Bandeira, Vinicius,
Castro Alves, Casemiro,
Goncalves Dias,
Oswald de Andrade,
João Cabral de M Neto,
Menotti del Picchia,
Manuel de Barros,
Carlos Nejar,
Pablo Neruda,
Baudelaire.
mas no pódio
da minha idolatria
há três luminares
que venero
acima da média:
Mário Quintana,
Fernando Pessoa
e Jorge Luis Borges
Em diversos momentos,
desta minha existência
- alegres, tristes ou terríveis -
encontrei, sempre,  na poesia
 o deleite, o carinho, o consolo
A poesia é importante;
o motivo poético,
tem fundamento,
para quem bebe
desta fonte,
nobre por excelência.

sábado, 22 de agosto de 2015

E A CONSCIÊNCIA ?

Até que ponto agimos sob o comando
da nossa consciência?
Por que mentimos a toda a hora
que temos o controle?
Acho que quase nunca percebemos
que estamos a fazer
aquilo que querem que façamos,
que pulamos nas casas numeradas
do tabuleiro do jogo social,
mas  mexemos nas pedras
às ordens do piloto automático.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

AS CARTAS

A primeira carta enviada
era verborrágica, falava
de uma paixão vertiginosa
composta por várias páginas
em papel perfumado.
As outras, que vieram depois,
eram menos extensas,
mas ainda febris,
porém mais-tete-a-tete,
entretanto, não  respondidas.
A menina não acreditava
em tanto pano para  manga,
pensava: é muita devoção,
os homens mentem sempre!
As cartas rarearam, ficaram curtas:
uma página, meia página, dez linhas,
o rapaz ainda escrevia de teimoso.
A derradeira cartada tinha uma frase:
"Te amo",
aquela teve resposta: vem me conhecer
 de perto, estou apaixonada!




terça-feira, 18 de agosto de 2015

PITACO

Por que será que gostamos demais
de dar pitaco
mesmo sabedores da excelência
do livre arbítrio
e ficamos a meter o bedelho onde
não somos convocados
dai que por tantas e tantas vezes
colhemos desnecessidades

domingo, 16 de agosto de 2015

QUE ESTAÇÃO É ESSA?

Mal entrou agosto
na grade do calendário
e os aromas afoitos
fluem dos pomares,
atravessam o espaço
e antecipam a primavera.
A temperatura elevada,
destes dias, induziu
os brotos das laranjeiras
a florirem antes da época.
Acho que o dedo humano
tem mexido além da conta
na estrutura do planeta
e a natureza combalida
tem atravessado o samba
na passarela ecológica.

sábado, 15 de agosto de 2015

NADA?

Às vezes pensamos certas coisas
que parece não ter nada a ver
com nosso histórico de vida.
Mas, então, de onde é que vem
ensejo para se voar  em devaneios
sem prováveis pontos de apoio,
ainda que acreditemos que nada
acontece assim tirado do nada,
porque nada é o que não existe?

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A DUPLA

Quando olho pelo lado de fora
dos compêndios gramaticais
por vezes fico pensando
que a dupla
substantivo-adjetivo
é  carne e unha;
 o casal perfeito, sem rusgas,
sem resenhas, sem demandas,
entretanto, depois repenso,
que talvez não seja  bem assim.
Também deve existir vaidade na morfologia
O substantivo batendo no peito, orgulhoso:
eu sou o líder, mas, às vezes,  aparece um cara chato
coordenando meu ser, adjetivando meus passos...
Já o adjetivo, se vangloria vaidoso:
sem meu carimbo, ele é um sujeitinho acéfalo,
indivíduo aleatório, inútil sem minha companhia...





terça-feira, 11 de agosto de 2015

SÍNDROME

A busca incessante do conforto;
marca registrada do bem-estar,
 necessidade psíquica introjetada
na mente do indivíduo moderno,
doutrinado na cartilha do comodismo
e na preservação do menor esforço
condicionou o homem atual,
a aspirar,  por tabela ,vantagens,
benesses,  fruição, deleite...,
através da velha tese simplista,
de que veio aqui para ser servido.

sábado, 8 de agosto de 2015

EXECUÇÃO SUMÁRIA

Tanta violência nas ruas,
tantos crimes pela cidade
agoniando a opinião pública
levando o povo a implorar
a implantação da pena de morte,
mas ela já vige na prática
de forma sumaria e à revelia
da ordenação institucionalizada
sob o jugo dos instintos rudes,
hajam vistas os linchamentos
ocorridos  a toda a hora
à sombra da impunidade,
à luz de motivos torpes...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A MENINA

A menina feia (entre aspas)
não sabia que certos conceitos
foram determinados à revelia,
que a beleza à luz do filtro social
é inerente à imagem, e a época,
que o olho foi condicionado,
que a indústria dos apelos
produz novas cartilhas
corroboradas pela mídia
padronizada, cartelizada...

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O FRIO SAIU DE FÉRIAS

Parece que o inverno trocou de roupa.
Acho que ele quer brincar de outono
ou então saiu de férias pela Europa
para um flerte com o verão de lá
enquanto nós esperamos em vão
que ele retorne para completar
o mandato em curso vacante,
mas o frio reclama seu direito
quer governar sobre o sul
enquanto ainda é tempo.
O resto do Brasil acha engraçado
a gente sentir falta do inverno,
mas quem nasceu aqui no pampa
é conservador sobremaneira
e resiste às nuances do clima,
queremos o frio de volta.
Já não bastasse a crise
a esvaziar nossas bolsas
agora a estação escamoteia
e o que acontecerá para a frente,
ah, mas o futuro a Deus pertence!



sábado, 1 de agosto de 2015

AGOSTO

Se minha vó ainda estivesse aqui
certamente teria ficado surpresa
com a entrada atípica de agosto;
sem frio, sem nuvens, com sol
e jeito de primavera precoce.

Ela renegava os atributos negativos
de agosto, mês do cachorro louco,
época da ceifadora de vidas, solta,
sobretudo nos quintais dos idosos,
pois então era linguagem trivial:
os velhos que atravessarem agosto
ganharão mais um ano de vida.

Lembro-me também de que
no livro olhai os lírios do campo
do nosso Erico Verissimo
o Sr. Angelo, pai de Eugênio,
também não gostava do mês nº 8
e dizia: agosto, mês de desgosto.

Enfim, agosto vem chegando
com passos largos, rápidos.
Entremos na dança do tempo,
porque logo será setembro.