segunda-feira, 29 de junho de 2015

OUTROS TEMPOS

Ouvi outro dia da boca de uma pessoa
uma surrada expressão, lugar comum,
diante de duas jovens meninas distraídas
trocando carícias no banco da praça,
a boa senhora falou: isto é o fim dos tempos...

Pois, eu, no alto da minha ignorância,
penso que o evento aqui descrito
não significa fim, mas, pelo contrário
pode ser, se permitirmos, o início
dos propalados tempos novos...

Os homos no passado era chamados
de os os invertidos. Velhos tempos!
Quando as preferências minoritárias
tinham de ficar às sombras, escondidas.
Tempos de tolerância zero.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

ECONOMIA DA LÍNGUA

Outro dia um amigo meu me dizia
que o surgimento de novas palavras
não ocorre em face de algum modismo,
mas pela real necessidade de renovação
por que à medida que a carruagem anda
os vocábulos também envelhecem pelo uso,
então um menino que assistia ao monólogo
intrometeu-se à cena e sugeriu ao palestrante
que se falasse pouco e se escrevesse menos
para a conservação perene dos vernáculo...

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A COISA EMBAÇADA

Sabem, aqueles clichês salvadores de aparências
abonadores de situações meio embaraçosas,
quando diante do outro ou da outra nos falta
a palavra adequada para quebrar o gelo,
para que não se fique a coçar o rosto,
beliscar, de leve,  a pontinha da orelha,
retirar o bloco de anotações do bolso,
passar os dedos pela tela do celular; mas,
por vezes, tais expedientes não funcionam.
Então falamos: parece que vai chover!
Recebemos a resposta: acho que não,
pois está um dia bonito, com poucas nuvens.
Concordamos: é verdade, mas acho que chove
para o fim da semana, para o fim do mês...
Podemos também enveredar para o futebol,
sobretudo se é segunda ou quinta-feira:
Que bom que ganhamos ontem! (o time do outro perdeu)
Pois é nem tenho acompanhado os jogos da dupla grenal,
ando mais ligado no futebol europeu, no time do Barcelona...
Mas o pior é homem falando de novela com mulher,
quando ela pergunta: viste que beleza o capítulo da novela
de ontem à noite no canal Ypisilone?
O cara, sem graça, disse que viu de vislumbre.
Ela, depressa, com o intuito de ajudar, narra os avanços,
os recuos, os beijos trocados entre os galãs, citando
em cada cena, o nome do ator ou atriz em ação...
Mas o coitado não assiste novelas há trinta anos!




sábado, 20 de junho de 2015

ENFIM INVERNO

Enfim o inverno chegou
abrindo os portões, dando passagem
ao Minuano que se derrama pelo Pampa

Provavelmente será um inverno curto
como tem sido nos últimos tempos;
uns trintas dias de frio no máximo.

Não quero perder a aragem do Minuano
vindo à galope da Patagonia
e atravessado,rapidamente,
o velho Rio Grande.

Às vezes, amigos de outros estados,
perguntam-me o que é o Minuano.
Bem, o Minuano não se define em palavas
Necessário senti-lo na pele....
O Minuano já está amalgamado no nosso espírito,
está integrado à nossa bagagem cultural.





segunda-feira, 15 de junho de 2015

HOJE NÃO TEM POEMA

Eu perguntava no último post, pelo frio que não vinha, pois até parecia que ele havia esquecido da gente. Não haver frio, nesta época do ano, no resto do Brasil é algo natural, em se tratando de um país tropical, porém no sul não, a região mais fria deste país-continente. Agora, 15 de junho, o frio está chegando aqui em Porto Alegre, RS. Pela manhã estava seis graus centígrados, acho que no interior, sobretudo na serra, está mais frio. Nos próximos dias  a temperatura deve cair mais. Está ficando muito bom! Está ficando bom para mim e para meus pares que amam o frio, entretanto, e sempre há um entretanto, o frio traz um problema muito sério para os carentes de moradia razoável, de roupas adequadas. O frio também pode ser mortal para os habitantes da rua...enfim, começo a me arrepender de ter tanto pedido pelo frio...

segunda-feira, 8 de junho de 2015

CADÊ O FRIO?

O veranico de maio
invadiu a área de junho
e a temperatura continua alta.
Até parece que o frio
foi passear lá em Marte
e o outono que era ameno
em temporadas anteriores
agora anda vestido de verão.
Se daqui a duas semanas
quando o outono for embora
ainda continuar assim, quente,
teremos de encomendar o frio
pelas agências do correio
ou através da internet...

sábado, 6 de junho de 2015

CENAS QUOTIDIANAS DE UMA TARDE DE 6ª FEIRA

Eu olhava, da minha janela, a folha caindo
da velha árvore que ainda havia na praça,
 o sol descia o céu na direção do rio,
o sabiá cantava nas moitas lá do morro,
o ruído do  som do carro que cruzava a rua
fazendo propaganda do mercado do bairro
era  uma ponta de agulha nos meus ouvidos...
Meus olhos ainda procuravam a folha,
que a brisa da tarde suspendera acima da grama,
mas minha atenção foi desviada pelos alunos
que compravam embrulhos de maconha
junto à carrocinha de cachorro quente da esquina
em frente ao colégio de primeiro grau.
No minuto seguinte, ao extremo norte da praça
três homens usando toucas ninjas abandonaram um carro
com o alarme disparado e passaram correndo sem olhar para trás.
No momento em que eu pretendia me recolher
para preparar meu chimarrão vespertino
surge na rua vindo do lado do sul gritos e lamentos
de uma mulher levando sanafões, tapas e pontapés,
diante das cenas covardes não me aguentei e desci
no intuito de agir na contenda em favor da mulher agredida,
entretanto fui surpreendido pela vitima do evento,
que mandou-me ficar quieto e não meter o bedelho em briga de família...





quinta-feira, 4 de junho de 2015

CADÊ A MÚSICA DO MEU PAÍS?

Lembro-me saudoso
 daquelas músicas singelas
tocadas outrora nas rádios
lá pelos anos 50, 60 , 70...
que tinham letras elaboradas,
que não eram complexas
mas tinham conteúdo...
Entretanto virou moda
musicas capengas
propagando bobagens,
asneiras, sandices...
Virou hábito nacional
músicas inssossas, bregas,
vazias; cantadas,
preferencialmente,
por intérpretes
fraquíssimos...

E a nossa velha e boa música
foi jogada na lata do lixo histórico.