segunda-feira, 29 de abril de 2013

VELHA GUAÍBA

Eu era  criança
em 30 de abril de 1957,
quando nasceu a Rádio Guaíba.
Naquele tempo, as rádios
daqui de Porto Alegre
faziam uma programação bem popular
e o ponto alto era o rádio-teatro,
ou seja, a novela no radio.
A programação da Guaíba
era diferente:
cultural, eclética, acima da média.
A Rádio Guaíba foi escola
de formação de profissionais talentosos;
estágio para muita gente boa
que foi para outros veículos
do centro do país ou migrou
para os canais de tv locais.
A Guaíba foi referência do rádio gaúcho
até a década de oitenta,
época em que as metamorfoses temporais
a transformaram em uma rádio comum,
igual as outras rádios.
Então, cansado da mesmice, parei de ouvir rádio!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

ETERNA JUVENTUDE

Sinto saudade de uma época
soterrada pela poeira do tempo;
memoráveis anos cinquenta e sessenta
quando no divertíamos  com as nuvens
e brincávamos  com o vento.
Encarnávamos as personagens
de Robinson Crusoé
e buscávamos  nossa ilha deserta
em meio as árvores dos quintais.
Mas a carruagem da pureza
armazenou  nossas pipas
no bau da lembrança.
E dizer que a gente pensava
que Peter Pan jamais envelheceria!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

22 DE ABRIL

Cresci sentindo vergonha de ser brasileiro.
Era os anos de chumbo
e todo o apego ufanista
parecia aos olhos de quem discordava
daquele sistema,
alta traição.
O tempo passou
- aliás, nos passamos, o tempo é imutável em si mesmo -,
a ditadura acabou.
Senti correr pelas veias
o sangue verde-amarelo.
Até senti orgulho;
esse sentimento inerente a nós,
seres poucos evoluídos.
Voltei a sentir vergonha da brasilidade:
sou constrangido diante do Tribunal da consciência
pelas atitudes mesquinhas que cometemos amiúde
contra os nossos semelhantes,
sobretudo àqueles necessitados de amparo
e os deixamos abandonados a própria sorte:
pela nossa conivência com os políticos calhordas
eleitos por nós mesmos:
pela nossa passividade diante dos crimes
cometidas contra a mãe natureza...
pelo...
Ah, seja com for, hoje é 22 de abril...
Brasil,..meu Brasil brasileiro...

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O VÍCIO DO MEU AVÔ

Meu avô foi um um tomador de vinho
durante a vida inteira.
Dir-se-ia que o velho era viciado
na bebida oriunda da videira
justo pela continuidade daquele mister,
haja vista desde a juventude
jamais ter passado um dia sem molhar o bico.
Meu avô tentou por diversas vezes abandonar o hábito,
entretanto nunca obteve sucesso.
Já no fim da vida, meio sem graça,
às vezes dizia:
passarei por esta existência dependente da droga.
Nós, que conhecíamos sua história de vida,
achávamos aquele desabafo engraçado:
meu avô bebia apenas um pequeno  gole
diário de vinho!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

PARA NÃO ESQUECER

Há poucos dias,
mais precisamente,
trinta e um de março
ocorreu o aniversário
da malfada revolução
de 1964.
Eu, particularmente,
sigo a linha daqueles
que preferem dizer golpe,
pois a palavra revolução
significa, genericamente,.
avanço, van guarda
ao passo de que o triste evento
ocorrido aqui em terras cabralinas
representou o atraso, o retrocesso,
o passadismo; quando os direitos mínimos
foram esmagados pelas patas dos fuzis.
Na praxe do estado ilegítimo
todo cidadão conspira, então
a suspeita e a desconfiança
é a regra geral, porque
a palavra independente incomoda
e os não manipuláveis são perseguidos,
por isso Vandré, Chico, Caetano...
foram amaldiçoados;
eles eram muito perigosos...


segunda-feira, 8 de abril de 2013

2ª FEIRA

Quando criança
eu ficava confuso
em relação à grade
dos dias da  semana.
Achava estranho
o embróglio contraditório
e especialíssimo sobre o domingo,
inserido ao cabo
sem ser o último,
pois primeiro dia
da nova semana.
Cheguei a pensar
que não deveria
existir segunda-feira,
que a semana útil
deveria começar na terça
e terminar na quinta.
Mais tarde entendi,
que a curtição do fim de semana
tem uma conexão direta
com a maneira que assimilamos
as segundas-feiras.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

ENQUANTO O FRIO NÃO VEM

Nós, que gostamos das temperaturas menores
aguardamos ansiosos a chegada do inverno.
Enquanto a temporada do frio não chega,
bebemos o néctar das noites outonais.
Pena que as tardes deste período ainda são quentes!

terça-feira, 2 de abril de 2013

ABRIL

Abril, a musicalidade
do teu nome
convida-me à poesia.

Abril, teu nome lembra
as naus de Cabral
aportando por aqui
naquela tarde primitiva
de mil e quinhentos.

Abril, teu nome
rima com Brasil,
com a cor azul,
com céu de anil,
com sabor de mel.