quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A GRANDE DOR

Os temporais, via de regra,
são passageiros,
mas geralmente deixam
cicatrizes abertas.

As grandes tempestades
deixam rastros,
marcas de sangue,
as artérias partidas.

Os grandes temporais provocam
 as tempestades interiores,
 que arrasam o espírito
de maneira indelével.

Impossível dimensionar
a tragédia de Santa Maria;
não existe parâmetros
para medir a desgraça.

O dinamismo do tempo
irá conduzir as horas, os dias;
minimizará lentamente o sofrimento,
mas não há de curar a alma,
por que não existe remédio
para a grande dor!
Passarão os meses, os anos
para as mães e os pais enlutados
e eles carregarão nos seus corações
os filhos mortos na flor da idade.








domingo, 27 de janeiro de 2013

TRAGÉDIA EM SANTA MARIA

Estamos de luto em consequência da tragédia ocorrida em uma boate  superlotada em Santa Maria, distante 300 kilometros daqui de Porto Alegre. Sabemos que essas tragédias não acontecem por acaso,  que tais eventos são  regastes coletivos. Mesmo que saibamos que as vidas ceifadas estão dentro de uma programação, que ainda escapa da nossa compreensão, é impossível ficar indiferente à dor das pessoas enlutadas, à grande dor, por exemplo, dos pais e das mães que perdem seus filhos ainda bem jovens.
Nossa solidariedade a todas as famílias enlutadas.

Ah, nesse momento, às 23 horas, está ocorrendo um incêndio de grandes proporções  na Vila Liberdade, próximo ao estádio Arena Grêmio, aqui em Porto Alegre.

sábado, 26 de janeiro de 2013

FÉRIAS SÃO PASSAGEIRAS

Pior que as férias
do meu time acabaram
Eu era feliz naquele período.
Assistia pela tv aos jogos
dos campeonatos europeus,
sem envolvimento emocional.
Legal ver a ARTE desfilando nos estadios
pelos pés de Messi, Iniesta, Van Persie...
a mesma ARTE  que nos encantou no passado,
através de Pelé, Garrincha, Jairzinho, Rivelino,
Airton Ferreira da Silva...
Pena que as férias do meu time
duraram apenas um mês!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

LEONEL BRIZOLA

Em 22 de janeiro de 1922 nascia um menino
em Carazinho, interior do Rio Grande do Sul,
que iria marcar de forma indelével
a história do nosso estado.

 Não gosto de falar de política,
 por que este quesito, por vezes,
pode ferir suscetibilidades.
Também não costumo cantar loas
a nenhum político de carreira.
Não tenho preferência partidária.
Inclusive me recuso a votar
nesse jogo de cartas marcadas,
enfim, política não mesmo minha praia.

Mas por necessidade da minha consciência,
hoje reporto-me à memória
de um nacionalista, de um patriota,
que conduziu por toda a vida
a bandeira das causas populares,
que acima de tudo, brigou
por um Brasil para os brasileiros.

Tio Briza, como é chamado aqui no sul,
foi deputado estadual,
prefeito de Porto Alegre,
governador do estado,
viveu duas décadas no exílio
e foi governador do Rio de Janeiro.

Trabalho era o seu lema.
Pioneiro da Reforma Agrária no Brasil,
criou o primeiro assentamento de terras,
loteamento do Banhado do Colégio,
produtivo até hoje, cinquenta anos, após a fundação.
Construiu quatro mil escolas populares,
que o povo as chamavam de Brizoletas.
Antes das Brizoletas, no interior do nosso estado,
os estudantes das primeiras classes, às vezes caminhavam
de cinco a dez  kilometros até a sala de aula,
então, Brizola levou a escola aos alunos.
Nacionalizou as companhias
de energia elétrica e de telefonia,
empresas americanas sucateadas,
e as preparou para atender as demandas
daquela época.
Comandou, em 61, a Campanha da Legalidade,
suporte para a posse de Jango.
Construiu o Sambódromo no Rio de Janeiro.
Resgatou o projeto do nobre baiano, Anísio Teixeira,
educação de turno integral, com a criação dos Cieps.

Nós, que crescemos acompanhando
a trajetória deste líder nato,
possivelmente, escapamos, às vezes, à razão
e acabamos navegando nas águas
do lago emotivo, mas não tem jeito,
preciso dizer: obrigado Leonel de Moura Brizola!


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

RODRIGO, SAUDADE ETERNA

         Ontem à noite, deitado, enquanto esperava o sono, passava na minha mente o filme da vida do meu filho Rodrigo, de curta duração neste plano.
         A película reportava-me ao ano de 1986, 18 de janeiro, um sábado,às 15 horas e 18 minutos, quando o sistema de som do Hospital Fêmina anunciou: familiares de Sheila, Rodrigo nasceu...
        Acordo, o filme continua rodando... choro de emoção... de alegria... de saudade...
        Nossos entes queridos, amados, que partem antes de nós não morrem, eles vivem nos nossos corações!.


Ontem à noite
dormi pensando:
que bom seria
se eu pudesse
estar com meu filho
no seu aniversário.

Querer não é poder,
mas agradeço a Deus
pela graça concedida,
pois estive com ele,
no mundo espiritual,
enquanto dormia.

Dentre as coisas que falamos,
guardei este lembrete:
para eu não lamentar
sua curta passagem pela terra,
porque mais importante,
que a extensão de um existência
é a intensidade do amor compartilhado.



  

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O QUE ME IMPORTA

Mesmo não sendo um cultor do estilo romântico,  acho que não há nenhum mal, vez por outra, escrever um poema nesse segmento. Então ai vai este poeminha modesto.


O que me importa
o Farol da Alexandria,
se o brilho dos teus olhos
refletem as sete cores
do arco-íris?

O que me importa
Marília, Margarida, Beatriz,
as musas eternas
dos poetas inesquecíveis,
se tu preenches
meu universo onírico?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

OS POETAS...

Um poeta, meu amigo
disse-me outro dia,
que andava angustiado
com a instabilidade criativa,
que ainda não havia encontrado,
a satisfação imaginada
nos poemas que fazia..
Disse  que até diversificara o foco,
investindo algum tempo
na arte dos pincéis,
mas o prazer que sentia
quando nasciam as aquarelas
se esvaia enquanto a tinta secava.
Também havia procurado a realização
através dos acordes musicais,
entretanto, extinto o som da última nota
voltava a inquietude na alma.

Ah,meu amigo, os poetas
não são indivíduos  eleitos
nem nascem herdeiros
da felicidade universal.
Somos apenas criaturas
com um maior grau de exigência
no resultado das nossas invenções.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

JAIME

Na semana passada
vivi a emoção do reencontro
com um amigo de infância
pelo qual procurei
durante várias décadas.

Jaeme morava na minha rua.
Era filho de um casal lusitano.
A mãe dizia o nome do menino
colocando a força tônica no "e" do meio
assim de jeito: Ja-ê-me.

A vida cedo nos conduziu
por caminhos diferentes
e por mais que eu procurasse
não conseguia encontrá-lo.

Por diversas vezes
estivemos muito próximos,
mas separados pelo som
de um carácter da língua.

No momento do reencontro, a surpresa;
a explicação para a dificuldade da busca,
eu procurei a vida inteira, outra pessoa.
O nome do meu amigo é Jaime.

sábado, 5 de janeiro de 2013

É FÁCIL DIZER

O professor empolgado com o som
das palavras que saiam da sua boca,
discorria sobre a importância
da transmissão de hábitos alavancadores
na formação do caráter humano:
Caros discípulos,  já há algum tempo
vem ocorrendo uma permuta
por conta do afrouxamento disciplinar,
numa época de sedução tecnológica,
pais e educadores acomodados
pecam pela ausência de exemplos salutares.
É tempo de reeducar os pais,
é tempo de adotar posturas
condizentes as necessidades atuais.
Está na hora de alcançar às crianças
paradigmas estruturados no bom senso.
A aula acabou.
O mestre embebido nas próprias palavras,
demorou para perceber que estava sozinho na sala.
Foi embora falando consigo.
Andou pela rua pisando no vento.
Entrou dentro de casa em estado de graça.
Chamou pela mulher e pelos filhos:
Família, cadê a recepção para o cérebro?
Quero aplausos para o professor do ano!
Acho que estarei na listas dos dez mais.
Enquanto isso, a mulher e os filhos pensavam,
esse cara endoidou!
O professor, eufórico qual deputado de 1ª eleição,
falava sem parar sobre  sua capacidade retórica,
mas o filho menor cansado da ladainha,
queria brincar com o pai, ali no tapete da sala.
O homem nervoso com o pedido da criança,
zanzou pela casa à procura de algum brinquedo.
Mas por ironia do destino, o pequeno cobrava
aquelas coisas que ele falara na aula
Paiê, vem plantar bananeira comigo!
Mas o cara, desconversava... não sabia o que fazer...
Àquela altura, a mãe, irritada, interveio:
Mestre, chegou a hora de pôr na prática
tuas brilhantes teorias.
O pai, vermelho, irritado, vociferou:
Tenha paciência, um intelectual da minha estatura
não vai rolar pelo chão feito um bobo.
Mulher, entenda; estamos no Brasil
onde é permitido dizer coisas
que nem passa por nossa cabeça executar,
pois caso contrário, grande parcela da classe política
estaria na cadeia...


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

SAUDADES DAQUELE TIO DOIDÃO!

Ao rememorar velhas coisas, neste dia primeiro do ano,
senti saudade daquele andarilho
que conheci lá nos anos sessenta;
sujeito diferente de todo o mundo,
quando perto dele, eu ficava com a impressão
de que seu cérebro nunca parava de funcionar,
porque toda a vez a gente olhava no seu olho,
ele perguntava coisas que soavam
tão fora do nosso contexto...
Lembro-me especialmente de uma pergunta que ele gostava de repetir:
"Já bebeste hoje teu caldo de filosofia?"
Da primeira vez que ouvi aquilo
fiquei boquiaberto, abobalhado, tonto!
Diante do impasse, o cara retirou de dentro de uma mochila velha,
que trazia presa às costas, o livro Assim Falou Zaratrusta,
alcançou-me e disse, leia e devolva-me para eu repassar
a qualquer outro menino assustado,
porque o conhecimento não deve ficar retido
dentro de uma mochila sebosa, e, além disso,
todo o homem deve ter acesso ao voo da imaginação...
Graças àquele tio doido, de mente brilhante, tive meu primeiro contato
com Nieztsche, Hermmann Hesse, André Gidé, Albert Camus,
Charles Baudelaire, Samuel Becket, Jorge Luis Borges, Fernando Pessoa,
Julio Cortazar, Franz Kafka, Julio Cortazar...
Um dia, para minha imensa surpresa,
aquele querido tio esquisitão sumiu do meu caminho.
Soube que a Ditadura o havia retirado de circulação,
porque ele era muito perigoso...
Faz tanto tempo, mas a saudade ainda é grande!