quinta-feira, 27 de setembro de 2012

SENTIMENTOS

Se os sentimentos tivessem cor
a alegria seria azul;
a tristeza roxa;
a saudade marfim;
a esperança talvez lilás;
a inveja, de repente, marrom;
o ciúme, quem sabe, vermelho;
a indiferença, certamente, incolor.

Se os sentimentos tivessem forma
a alegria seria um barquinho
deslisando nas águas da vida.
A tristeza, um marinheiro sem norte
distante da terra firme.
A saudade, o náufrago esquecido
nos mares do sul.
A esperança..., ah, a esperança...
um pássaro azul.

Se os sentimentos tivessem cheiro...
Se os sentimentos tivessem som...
Mas o dicionário diz que os sentimentos
são abstrações da alma...
Até pode ser... mas eles agem...
e como agem sobre nossa psique!

domingo, 23 de setembro de 2012

MATANÇA

Demorei para perceber
que me encontrava no olho do furacão.
Mas já dizia William Shakespeare,
um dia a gente aprende que...

Queremos a paz, mas a guerra
é uma constante na linha do tempo.
Desde os tempos heroicos o homem mata
outro homem por esporte ou por indução.

As fronteiras foras estatuídas.
Criou-se  a ficção estado
Alimentou-se o ódio desnecessário
e por qualquer "dá-me aquela palha"
é decretada época de caça.

Desde os primórdios das era
em algum lugar do planeta
alguém está matando ou morrendo
sob o manto de uma ideologia inútil.

Desde sempre, guerras tribais
corroem as células dos povos...
Talvez seja a resultante
do movimento pendular histórico,
quem sabe o corolário do Eterno Retorno de Nieztsche
ou o resíduo dialético Hegeliano...

No fim, dei toda essa volta,
discorrendo sobre a estupidez humana,
quando o objeto da conjetura
está na frente da nossa cara:
é a guerra civil sangrando
as artérias do nosso país!


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

PROJETOS

Três indivíduos partiram do quilometro zero
das suas existências com metas predefinidas
Eles acreditavam que seus projetos
eram os mais adequados
às suas personalidades.

O primeiro queria ganhar dinheiro.
Acreditava que o vil metal
era elemento útil e necessário
ao desfrute das oportunidades do mundo
O  ouro seria o passaporte dos destemidos,
a chave de acesso à felicidade.
Dizia, que desse mundo se leva
o que se come, o que se bebe, o que se curte.

O segundo desejava viver a vida.
Falava que o dinheiro era necessário,
 mas o trabalho era um entrave.
Lastimava a sorte do labutadores arregimentados,
que entregavam o vigor dos melhores anos
pela troca da subsistência e da aposentadoria
à época do declínio das forças.
Afirmava que era preferível
levar a existência dos pássaros,
livres pelos ares do mundo,
pois só se vive a vida uma vez.

O terceiro afirmava que viera a este mundo
para cumprir seu destino,
pois pressupunha que havia firmado
compromisso nas esferas superiores,
isto é, descera à terra para fazer o bem,
entretanto, num determinado momento
teve consciência de que fracassara,
de que cedera terreno à inveja,
à vaidade e ao orgulho, mas não capitulara.
As respostas às falhas estavam dentro dele.
Ainda havia tempo de reparar a trajetória
através do necessário ajuste de conduta.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

ESTADO MÍNIMO

Não desejo propagandear o estado neo liberal
nem pretendo conduzir a bandeira do anarquismo,
sei da necessidade da convivência ordenada.
A contrapartida do estado de direito
seria o retorno à época da barbárie.

Quero apenas conclamar as mentes sensatas,
 imunes ao vírus da política organizada,
ao engajamento urgente e necessário
de uma campanha em prol
da redução do tamanho do estado.

Haja vista o estado moderno poderoso,
hoje transformado num balaio de gatos,
onde cartéis e cartórios se especializaram
na condução do processo das maracutaias.

Com a aprovação do estado mínimo
haverá menos gente mamando nas tetas públicas
às expensas do povo extorquido
por um sistema anacrônico e pernicioso.




domingo, 16 de setembro de 2012

EU QUERIA NÃO VOTAR!

A campanha eleitoral vai de vento em popa
e os partidos políticos disparam
na direção do eleitor distraído.
Então, eu lembrei
de um antigo jogo de vídeo game
"Caça ao pato".

Não tenho vergonha de dizer
que fui caçado várias vezes
pelas armas permitidas,
pelo sistema democrático,
imposto à revelia,
à luz do modelo maquiavélico
onde a lei retira a possibilidade
de não se dizer amém.
Somos livres para votar
Mas não podemos não votar!
Eis a liberdade no sapo na boca da cobra!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

COMODISMO

Ainda me lembro
daquela manhã
encravada no tempo,
em que ouvi o ancião
falar com entusiasmo:
ninguém nasce sabendo,
o aprendizado acontece
à medida que uma geração
transmite à outra,
o saber armazenado
no saco de bagagem.
Ouçam a história
e pratiquem as lições.
Essas palavras não foram retiradas do vazio,
mas corroboradas pela minha trajetória
..............................................................
Durante muito tempo,
bebi das fontes sagradas.
Minha crença inabalável
no conhecimento adquirido
retirou-me o desejo
de procurar novas águas.
Eu tinha a certeza
de que tudo estava escrito
na melhor ordem.
A preguiça de buscar novos portos
emperrou-me os músculos.
Acomodado à margem do tempo,
tive medo de cruzar o caminho das pedras.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

MORRER DE AMOR

Quem não lembra da história
do Jovem Werter de Goethe,
o qual morreu de overdose de amor?
E tem o fenômeno "Mal do Século"
onde os poetas morriam jovens
em decorrência da paixão.
Eis a arte contextualizada de uma época!

Em outro contexto, agora pouco antes
do advento da internet,
Paula morreu de amor.
Tudo começou quando
Paula trocou por engano o número do telefone
do programa de rádio "Itai dona da noite".
Fernando se fez passar pelo locutor
do programa da garota,
até cantou a música pedida
e continuou cantarolando as músicas
de Roberto Carlos, nas noites seguintes
da vida de Paula.
A voz artificial de Fernando
recitando os hits românticos,
fez transbordar as águas da paixão
que estavam contidas no coração da menina.
Ela passava o tempo sonhando
com o dia de conhecer Fernando.
Pior que ela não sabia da tara do rapaz:
culto ao amor platônico.
Na noite que Fernando disse com todas as letras,
que o amor romântico acaba na hora do conúbio,
Paula ingeriu uma dose letal de comprimidos.

domingo, 2 de setembro de 2012

CANDIDATOS

Candidatos são pessoas interessantes
dentro da temporada de caça ao voto,
gente descontraída, educada
e preocupada com o bem estar comunitário.

Candidatos em campanha eleitoral
são centros geradores de gentilezas.
É uma categoria especial
que sabe usar com excelência
a arte de convencer os incrédulos.

Pena que as campanhas duram pouco
e todas aquelas pantomimas
produzidas pelos caçadores de votos
desaparecem logo após o pleito.
Aqueles senhores maravilhosos,
vivazes, simpáticos, sorridentes
ficam apáticos e indiferentes
e conservarão esse estado de espírito
até a abertura das futuras campanhas.