quinta-feira, 28 de abril de 2011

CABRAL

Pedro ficou encantado
quando chegou aqui.
Imaginou ter desembarcado
na Terra Prometida.

Alvares vendo a beleza nativa
da natureza intocada
e o bailado das índias nuas
teve a certeza de que havia
encontrado o Paraiso.

Cabral embriagado com as coisas brasis,
queria ficar morando aqui
mas o rei de Portugal
planejava outros descobrimentos
para o nosso herói.

Pedro Alvares Cabral, triste,
voltou à Europa,
suspirando a saudade
da terra tropical.

Cabral convenceu o império
da necessidade de uma viagem para a Africa,
mas no meio do caminho
fugiu para o Brasil.

Anos mais tarde,
os emissários da coroa
econtraram o navegante metamorfoseado na Bahia,
mas não reconheceram-no, rosto pintado,
com os cabelos compridos
e dançando um batuque marcado
por um bumbo primitivo,
Cabral era um índio.

Alguns séculos depois,
um povo moreno, banido da pátria
e amordaçado pela estupidez humana,
juntou a ginga do corpo e a alegria do sangue
ao ritmo marcial dançado por Cabral
e mostrou o Samba para o mundo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

OS GIRASSÓIS

Houve consternação na vizinhança
quando a polícia prendeu
aquele homem que morava
num casebre perto da praça.

Como fazem isso, eles disseram;
colocam um homem pacato na cadeia
enquanto milhares de malfeitores
transitam impunes pela cidade!

Que crime, aquele homem simplório
havia cometido contra a sociedade?

Simples: para a lei constituida,
ele havia invadido a propriedade pública,
porque plantara umas sementes
no canteiros em torno da praça
As sementes germinaram, cresceram
e floriram nos canteiros,
e a praça, antes tão feia,
se transformou num jardim de girassóis.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

INTERESSES

Um funcionário público,
senhor solteiro,
classe média baixa,
vivia apostando
nos jogos lotéricos.

Ao fazer cinquenta anos
o cara foi contemplado
com o sorteio milionário
da mega sena.

Refeito do choque
do enriquecimento repentino
o sujeito viveu
o dilema sartreano.

O homem suspirava
em meio à angústia:
Meu Deus, como eu era feliz
na minha vidinha de pobre!
Agora, o que farei
para sobreviver
aos transtornos acarretados
pelo excesso de dinheiro?

Após três meses de reflexão,
o homem concluiu que não tinha necessidade
da fortuna que lhe caíra no bolso.
Então, fez aquilo que
pouca gente, neste mundo, faria:
doou todo o dinheiro que havia ganho
às instituições filantrôpicas.

Os sobrinhos do ex-milionário
entraram na justiça contra o tio
e berravam no tribunal:
queremos a morte deste canhalha
que roubou a nossa herança.

sábado, 9 de abril de 2011

MILAGRES

Hoje sabemos que
milagres não existem
do modo como foram
divulgados no passado
apesar da História estar repleta
de eventos extraordinários,
mas os fenômenos miraculosos
são explicados cientificamente
adrede às leis divinas,
entretanto, o maravilhoso, o transcendente,
exercem um enorme fascínio
sobre a mente humana
em todas as épocas da civilização.

Ignorando as leis naturais
o homem vive a expectativa,
sobretudo, nos momentos difíceis da vida
de que milagres aconteçam...

Pois é, na noite de ontem
enquanto dormia,
presenciei um milagre
mas agora nem sei como vou contar!

Como num filme
de realismo mágico,
eu estava no front
da guerra do oriente
e vi combatentes das guerras e guerrilhas
se deslocarem na direção
de um ponto imaginário.
A maneira determinada daqueles homens marcharem
induziria a qualquer observador desavisado
um confronto de resultado sangrento,
mas para a surpresa deste escriba incréu,
aconteceu o milagre:
no momento em que os batalhões
adversários se encontravam,
jogavam as armas para o alto,
retiravam flautas de dentro
dos uniformes e executavam acordes
da música Imagine de John Lenon
e se abraçavam e dançavam na poeira do deserto.
Depois fincaram uma bandeira gigante na areia
com a seguinte inscrição:
"guerra, nunca mais!"

terça-feira, 5 de abril de 2011

OUTONO

O Outono tem
uma pontinha de melancolia,
o Outono tem chuva,
o Outono tem vento
e um bocadinho de frio...

O Outono traz saudade
do verão que passou
e a expectativa do inverno
que vai chegar...

O Outono traz nas suas asas
um pouqinho de tristeza
porque alerta aos jovens
sobre a passagem das estações
e lembra aos mais velhos
a contagem regressiva do tempo...

O Outono traz coisas boas!
As folhas douradas caindo,
desperta o coração do poeta...
As temperaturas amenas
e o ar, às vezes, bucólico:
condições propícias ao romantismo
e ao aconchego dos amantes...