sábado, 31 de dezembro de 2011

ANO NOVO

Mais alguns minutos
e transporemos o muro
que separa o ano que expira
do ano que está nascendo.

Plagiando o grande Drummond de Andrade,
diremos aos amigos e aos inimigos:
vamos juntos, vamos de mão dadas,
não precisamos ter pressa,
porque o ano novo nos espera
ali na esquina.

Estamos em contagem regressiva,
mas ainda há tempo
para conectar nosso coração
com o Senhor do Tempo
e pedir que ele derrame
sentimentos de fraternidade, paz e amor
sobre a humanidade inteira!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

2012

Ontem, quando examinava
o calendário do próximo ano,
a parcela simplória que reside
no meu subconsciente
pensou em voz alta,
por isso que o mundo vai acabar,
2012 é ano bissexto.

Nossa herança atávica
trouxe a crendice
de que anos bissextos
são geralmente
anos de mau agouro.

Dois eventos marcantes,
da nossa história
ocorreram em anos bissextos:
a Revolução de Trinta,
divisor de águas entre o Brasil arcáico
e a fermentação de um processo
que levaria a nação na direção do futuro.
Já o golpe de 64
ou a contrarevolução
de famigerada memória
é uma nódoa que nos envergonha.

As grandes conquistas do esporte bretão
na terra "A pátria de chuteiras"
não aconteceram em anos bissextos.
Se tal houvesse ocorrido
estaria bem colocado,
pois nós lapidamos o esporte
que os ingleses inventaram
e agora o Barcelona da Espanha
está reinventando.

Apesar do glamour que o termo bissexto
exerce sobre a mente do poeta,
nascido em ano bissexto,
 ao fim e ao cabo,
períodos bissextos não se caracterizam,
necessariamente, por épocas
de eventos extraordinários.

sábado, 24 de dezembro de 2011

NOITE DE NATAL

Nesta noite de Natal,
busquemos a paz,
mãe de todas as virtudes;
a paz que Jesus levava às almas receptivas:
"A paz esteja nesta casa"
"A paz esteja contigo"
"A paz esteja convosco"

Nesta noite de Natal,
busquemos a verdade
extraída dos ensinamentos do mestre,
e que ela seja hoje e sempre
nossa estrela de Belém.

Nesta noite de Natal,
conectemos o nosso coração
à  humildade e a mansitude de Jesus,
justamente ele, o espírito mais elevado que já passou por aqui,
desfilava a simplicidade diante do poder temporal.

Nesta noite de Natal,
elevemos nosso pensamento
acima da simbologia terrena
e resgatemos o sentido sublime
das palavras daquele que veio mostrar
o caminho, a verdade e a vida.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ERICO

Vai aqui esta singela homenagem ao escritor gaúcho, Erico Verissimo,
nascido em 17 de dezembro de 1905. Sempre lembrarei com carinho, da enorme
alegria que senti ao ler seus livros.


Quando eu passo pela rua Erico Verissimo
lembro do escritor de Cruz Alta
e o pensamento me leva de volta à emoção
que senti ao ler "Olhai os lírios do campo"

A primeira leitura do autor querido
a gente nunca esquece
mas no caso específico em questão
todas as leituras são inesquecíveis.

Erico, a saudade, o tempo, o vento,
Antares, Música ao longe...
Erico, criador de Vasco, Eugenio, Clarissa,
Campolargo, Ana Terra, Capitão Rodrigo...
São tantas personagens marcantes!
Erico, escritor universal, gaúcho por contingência,
da Rua Felipe de Oliveira, em Porto Alegre,
escrevia para o mundo.

Nos finais de tarde de tempo bom
quando vejo algum senhor compenetrado
com boné na cabeça e andando devagar,
lembro de Erico ao fim da jornada,
caminhando pelas ruas do bairro Petrópolis,
conversando com seus personagens...

sábado, 17 de dezembro de 2011

JOSÉ LUTZEMBERGER

 17 de dezembro, data natalícia de duas personalidades desta terra:
José  Lutzemberger e Erico Verissimo. Hoje vamos homenagear
José Lutz.


Hermann Hesse, grande escritor alemão,
prêmio Nobel de literatura de 1946 disse:
"A verdadeira profissão do homem é encontrar
seu caminho para si mesmo"
O gaúcho José lutzemberger
desconstruiu este axioma
e transformou a profissão dele
num caminho de abrangência humanitária.
Nosso homem em foco
era agrônomo e durante a juventude
esteve comprometido com os interesses internacionais,
mas no início da década de setenta,
Lutz viu a luz no caminho de Damasco
e abandonou sua bem-sucedida carreira
de técnico de uma grande multinacional
para se transformar no mais ferrenho
defensor ambientalista deste país,
ficando conhecido no mundo inteiro.
Dentre tantos trabalhos de Lutzemberger
vale destacar a fundação Gaia,
um centro de estudo em prol
da conservação do planeta.
Nas minhas orações
invoco o espírito do anjo Lutz,
pedindo que ele intua os homens de boa vontade
à sagrada missão de lutar
pela saúde da terra.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

EVOLUÇÃO

A terra ainda não foi inserida
no contexto dos mundos evoluídos.
 O adiantamento do nosso planeta
acontecerá na relação direta
do progresso evolutivo do homem.

Nosso progresso intelectual
não tem andado a par e passo
com nosso avanço moral.
Se já andamos alguns degraus
na área científica
ainda precisamos aprender muito
no campo espiritual.

Importante  que não ficaremos para sempre
estacionados no lugar em que nos encontramos agora.
Quando despersonalizarmos o ego,
nossa sensibilidade irá fluir;
despidos do véu da ignorância,
iremos compreender que tudo gira
de maneira harmônica no universo,
que nada acontece por acaso,
porque tudo tem uma explicação
com base nas leis de causa e efeito,
apesar de muitas vezes acreditarmos
que estamos condenados às leis fatalísticas,
sobretudo, quando observamos os eventos fenomenológicos
somente pelo ponto de vista imediato.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Andei durante muito tempo
de um lado para outro
feito um sonâmbulo 
procurando coisas que desconhecia.

Durante muito tempo eu me perguntei
o que estou fazendo aqui?
Existe um destino traçado para mim?
Encontrarei a felicidade algum dia?

Milhares de teorias,
livros de auto ajuda,
seitas eletrônica,
homens santos
estão por toda a parte
a vender a verdade .

O mercado da Nova Era
está na ordem do dia:
as mandalas,
os tarôs, 
os sortilégios.
Panacéia comercializada
ensejando a se pensar
que o oráculo de Delfos
vai ser restaurado.

Plagiando aquele famoso poema 
do dramaturgo William  Shakespeare:
Um dia a gente aprende...
Um dia a gente aprende com a dor!
 Seremos capturados pelos caminhos amargos
no momento em que estivermos
preparados para suportá-los.
Entretanto, passadas as tempestades
virá o tempo das bonanças,
a alegria, corolário da experiência,
satisfação do dever cumprido
em virtude de se ter feito a  coisa certa,
momento do espírito apaziguado, eis a felicidade:
singularidade de um  estado de espírito.



segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

DÁLIA

Cara  amiga,
amante das flores,
certamente, a Dália
não é a tua favorita.

 Quando os floricultores
elegem suas prediletas;
nomeiam as rosas,
as  tulipas,
as bromélias;
geralmente esquecem das Dálias.

 Que flor sobe ao pódio
em  ocasiões especiais?
Nunca uma noiva
jogou um  buquê  de Dálias
às meninas casadoiras!

Quando as  gurias desvairadas
jogam flores aos artistas
dos seus shows preferidos,
jogam Dálias, por acaso?

Roberto Carlos ao final dos espetáculos
não atira Dálias às fanzocas
comprimidas na área do gargarejo!
Alguém poderia dizer que as Dálias
não estariam à altura da Majestade
e nada mais  natural que ele utilize a rosa,
a flor dos momentos solenes.

Eu, particularmente, gosto de todas as flores,
- essas maravilhas que dão cor à vida -
mas desde onde a memória alcança,
cultivo  um carinho especial pela Dália,
essa flor simples, bela e perfumada.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

BALANÇO DE FIM DE ANO

Nas proximidades de virar
a última folha do calendário,
fazemos um inventário
de mais um ano em nossas vidas.

Deste balanço, geralmente,
ansiamos por uma leitura favorável.
Desejamos que a coluna Haver
dê resultado positivo.

Nossa preocupação gira, via de regra,
em torno de valores pecuniários.
Na equação ganhos e perdas
procuramos condicionar as incógnitas
determinantes do lucro.

 São operações normais,
adequadas ao progresso mercantil.
Se procedêssemos de modo diverso,
a humanidade, certamente, haveria avançado menos.

Porém, precisamos fazer alguns reparos
para alterar a resultante do balancete,
mas o ajuste necessário é de ordem moral,
não é medido em valor monetário.
O quociente é aferido através
de um exame de consciência:
que bem eu pratiquei ao próximo
no decorrer deste exercício?
O que eu poderia ter feito em benefício
dos doentes, dos desvalidos, dos famintos,
mas deixei de fazer?
O que eu poderia ter feito pela saúde do planeta,
mas não fiz?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

POETAR

Eu estava sentado num banco da praça
com o pensamento distante das coisas do mundo
e ao mesmo tempo tão compenetrado
na minha condição humana
quando passou um andarilho recitando uns versos,
que segundo o próprio, acabara de compô-los:
" Minha gente, não fiquem assustados com a energia
impregnada na atmosfera desta praça;
 a poesia invadindo as lacunas do nosso corpo,
conectando nossos canais receptivos
às coisas sublimes que pairam acima de nós.
Que ninguém imagine que  perdeu o senso crítico
ou que voltou a ser criança,
mas  penetrem no sentido desta lei:
Quando  estivermos disponíveis para o sublime
transmutaremos qualquer realidade,
porque apesar da mazelas do mundo
ainda  é possível sonhar!"

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

FORO

Acordei angustiado e confuso
com sensação aguda de culpa
sem conseguir lembrar
do tipo de mal que pratiquei.

De repente o quadro ficou menos obscuro
mas nada tranquilizante
foi  quando os vocábulos,
os caracteres, os signos
dos  poemas que eu havia escrito
anunciaram a natureza do crime cometido por mim:
violação da pureza da palavra.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

CONVULSÕES INTERIORES

Antes de virmos para cá,
cataclismos de proporções gigantescas,
confusão dos elementos terra, água e fogo
e fenômenos de toda ordem
convulsionaram o planeta
durante milhões de anos.

Pouco a pouco,
as energias que atuavam
com extrema violência
foram se estabilizando
até surgir as condições mínimas
de suporte à vida.

Excetuando alguns eventos
definidos e localizados em lugares específicos
constata-se que a terra passa
por um período
de relativa estabilidade.
Aquelas convulsões primárias
da noite dos tempos
foram transferidas
para dentro do homem.
E o navegante, na travessia do mar da vida,
sofre as consequências dos temporais interiores.
Enquanto essas forças instáveis
que estão agindo no  nosso âmago
não serenarem por completo
não encontraremos a felicidade.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

AÇÃO E INAÇÃO

Quando eu contornava
o fim do parque
onde começava a floresta,
via um homem parado,
olhando para o vazio.

Aquilo me impressionava,
porque naquela época,
eu era um jovem inquieto,
andando de lugar para outro,
seduzido pelo movimento.

Eu praticava cooper naquele tempo
e costumava fazer percursos variados,
mas no decurso dos dias
acabava repetindo trajetórias.

Sempre que eu passava por ali,
via o homem inerte, feito uma estátua.
De início não me incomodava muito,
mas depois de alguns meses,
veio-me um estado de angústia.

Nervoso, um dia abordei o homem
e perguntei-lhe o que ele achava
do meu exercício, tão diferente do seu.
Daí, ele perguntou que atividade eu praticava
- então, eu falei, não me vês passando por aqui
nos finais de tarde?
- Ora, nunca havia reparado, pois cuido do meu mister.
- Mas o que tu fazes aí parado, aparentemente afastado de tudo?
-  Bem, depois do trabalho, eu exercito por algum tempo a arte de ouvir o silêncio!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PALÍNDROMOS

Por mais centrados e objetivos
que sejamos
 num momento qualquer
muito provavelmente
haveremos de baixar a guardar
para penetrar no território
da cultura inútil.

Hoje, acordei neste país
de elocubrações  gratuitas
e me agarrei na Palindromia
como  quem segura a cauda duma pipa.

Mas eu tenho um motivo forte
para falar de Palíndromos
por que hoje é dia 11,
do mês 11 e do ano 11
Se estivéssemos no século 11
então seria uma Palíndromo saturadamente perfeito.

Eu e muita gente
na época de catar letras
para formar as palavras
achava divertido os Palíndromos elementares
da nossa língua
Lembro-me que OVO era o líder da turma.

Mais tarde iríamos achar
os Palíndromos numéricos
e algumas fórmulas para se brincar nessa região
Como, por exemplo, somar 2 números opostos
para formar um Palíndromo:
25 +  52 = 77

Ou formar formar um Palíndromo em dois passos:
 14 +  42 = 56
56 + 65 = 121

Formar um Palíndromo com 3 tacadas:
68 + 86 = 154
154 + 451 = 605
605 + 506 =  1111

Porém, como tudo neste mundo é relativo
existem alguns números rebeldes
que não aderiram à palindromia,
como o número 196,  por exemplo:
196 + 691 = 887
887 + 788 = 1675
1675 + 5761 = 7436
7436 + 6374 = 13783
13783 + 38731 = 52514
52514 + 41525 = 94039
e  continuando as etapas operacionais
chegaremos à exaustão
sem ter encontrado o Palíndromo deste  número,
donde se deduz que o número 196
jamais faria sucesso na política
por ser avesso às composições harmônicas

Mas seja como for
a vida continua
com ou sem Palíndromos,
entretanto, saudemos o nosso  Palíndromo
Ave 11/11/11
Ele não é bonitinho?

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A POEIRA DO TEMPO

Passei boa parte da minha juventude
ouvindo músicas através do rádio
e nos Lps rodados nas vitrolas.
Naquele tempo o radio
fazia a cabeça da galera.
A gente ouvia no dial
os lançamentos da jovem guarda
e das estrelas do rock e do pop.
Depois a turma se reunia
em saraus mágicos
e ficávamos ouvindo os compactos
dos mutantes, da Gal e do Roberto
e os Long Plays do Elvis, do Johny Mhatis
e dos Beatles...

Um dia"eles" disseram:
o sonho acabou!
mas para nós ainda havia
muito sonho pela frente.

Ah, o tempo voou!
As nossas patotas acabaram,
a jovem guarda envelheceu,
as meninas casaram,
Roberto reciclou,
nossos filhos cresceram,
a gente engordou,
a Vanderléia continua linda,
o mundo mudou,
mas a saudade é muito grande!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

POESIA. AH, POESIA!

Entre estufetato e assustado
ouvi esse triálogo outro dia
entre um adolescente e seus pais
em meio aos stands da Feira do Livro.

Mãê, compra o livro do Chico Buarque prá mim.
- Prá  que tu queres este livro?
-  Leitura sugerida pela sora
- Tua professora está se intrometendo
- Ela  disse que  é uma  leitura inteligente
- Tu deves ler os jornais.
- Jornal  é diferente de livro
- Jornais tem bons colunistas, alguns são até escritores.
- Não gosto de jornais. Eles trazem as coisas que eu vejo antes na Internet.

Paê, compra este livro do Marcel Proust?
- Menino tu não  tens  idéia das coisas
que esse cara escreveu
- Como não! Já vi alguns trechos dele na Web
- Tens  certeza de que se tratava do Proust ,
sujeito massudo, rabujento, embromão?
- Claro! Li trechos do 1º volume. Estilo  bem descritivo,
mas gostei de Albertine, Germantes. Pretendo ler os 7 volumes
de "Em busca do  Tempo Perdido"
- Tempo perdido é continuar insistindo, porque
eu vou  comprar mesmo é uma enciclopédia.

Mãê, paê, vamos negociar para ficarmos no meio-termo?
- Os dois falam ao mesmo tempo, tipo coisa combinada anteriormente:
Pode ser a coleção  Harry Potter?
- Nada disso. Caraca!
- Novamente, os dois:
 Então tu queres a coleção de dvd dos filmes  do Potter ?
- Quero o último livro do Manoel de Barros
- O quê, eu e tua mãe  nunca ouvimos falar desse cara!
- Ah, então, pode ser a coleção do Mario Quintana.
- Poesia, não! Poesia, não!
 - Por que não, se já escrevo alguns poemas?
- E os dois, ao mesmo tempo, nervosos, quase gritando:
Por que poesia amolece os miolos!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PAIXÃO

Tu fizeste meio século de existência
e eu continuo declarando o meu amor
sem medo de parecer piegas.

Os anos passam, mas o tempo não abala tua estrutura.
Tu te renovas a cada primavera
e eu te quero com a mesma intensidade
com que te desejei da primeira vez.

Não sei se os outros amantes que tens
te querem tanto quanto eu,
porém, sei que todos eles divulgam tuas virtudes,
entretanto, não sinto ciúme de ninguém,
pelo contrário, vivo feliz com meus confrades.

Logo tu serás uma senhora sexagenária,
mas prosseguirás pondo lenha no fogo
deste paixão incondicional,
e, hoje à tarde, quando te encontrar,
eu gritarei às pessoas, às árvores
e às flores dos jacarandás
que caem sobre os teus cabelos:
eu te amo, Feira do Livro de Porto Alegre!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

SR. JOÃO SILVEIRA

A história deste poema
é um evento real, positivo,
em verso e prosa
ocorrido ontem, aqui em Porto Alegre
e registrado na mídia escrita e televisiva.

O Sr. João Silveira
- nome verdadeiro do autor -
foi preso em um posto do INSS
quando reivindicava
determinado valor que lhe fora
descontado indevidamente.

Já alguns meses,
o Sr. João incomodava
os trabalhadores daquela repartição
exigindo ressarcimento do seu direito,
porém, ontem ele passou das medidas
segundo os componentes daquele órgão,
 pois disse que não iria embora
sem uma solução para o caso,
mas os funcionários daquele departamento,
irritados, pediram ajuda à lei,
então  veio a Polícia Federal
e conduziu o Sr. João Silveira para o xilindró.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

RECUPERANDO OUTUBRO

Eu disse outro dia num poema
que o mês de outubro não possuía
o charme característico de outros meses,
que não tinha, por exemplo
o perfume e o encanto de setembro.

Entretanto, hoje pela manhã,
quando eu passeava pelo parque
observando velhas árvores floridas,
aquelas que começam a chamar nossa atenção
- Ipê amarelo, Ipê roxo, etc. -  
desde o fim de agosto;
meus olhos foram atraídos
pelo colorido de uma árvore
que desabrocha em outubro
e a minha alma entrou em êxtase
com o esplendor paradisíaco
da flor do jacarandá.

domingo, 16 de outubro de 2011

SAUDADE

Saudade, vocábulo
pronunciado entre suspiros,
sau-da-de.
Ah, saudade!

Saudade,
palavra especial
da língua portuguesa
que às vezes transcende
o próprio sentido.

Ainda que
pensadores, filósofos, filólogos
vasculhem teorias, teses, axiomas,
nada saberão de saudade,
porque ninguém a conhecerá de fato
se não experimentá-la na carne!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

BRINQUEDOS

Durante muitos séculos
as crianças foram felizes
quando os brinquedos eram convencionais.

Tempo dos brinquedos simples
acessíveis a todos os segmentos.
As crianças pobres
eram estimuladas
por força das circunstâncias
à criação do próprio brinquedo.

No mundo pós-moderno,
uma parafernália
de coisas prontas
é jogada no mercado,
mas num piscar de olhos
os brinquedos saem de moda
para que outros brinquedos entrem na ciranda.

Hoje, as crianças
já não possuem aquela alegria primitiva.
Brincar tornou-se uma brincadeira sem graça
e os brinquedos brincam com elas.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

OUTUBRO

Quando nos referimos
ao mês de outubro
é como se falássemos
de alguém pouco significante.
Até parece que outubro
é um viajante distraído,
que vem somente
para preencher o calendário.

Alguns meses são lembrados automaticamente,
já fazem parte do inconsciente coletivo
em razão de efemérides peculiares:
Setembro; alegria, entrada da primavera.
Dezembro; Natal, troca de presentes.
Janeiro; Ano novo, férias.
Fevereiro; Brasil, carnaval.
Março; ufa, retorno à escola e ao trabalho.
Maio; sonhos, mês das noivas e das mães.
Junho; paixão, mês dos namorados.

Já há um movimento popular
para recuperar o décimo mês
e retirar a pexa de que ele existe
apenas para cumprir tabela.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

STEVE JOBS

As maçãs do mundo
acordam órfãs.
As maçãs, de luto,
choram e reverenciam
à memória de Steve Jobs.

O pai da era digital
partiu para o merecido
descanso do  guerreiro.

Milhões de pessoas no planeta
- usuários dos produtos
que saíram do cérebro do mestre-
não conheciam Steve Jobs,
mas  quando viram a notícia televisiva
sobre o passamento do gênio,
ficaram com a sensação de perda
de um velho conhecido.

Em meio ao alvoroço
que a notícia causou
na Aldeia Global,
muita gente disse:
o futuro partiu
mal tendo chegado!

A morte de Jobs
deixa uma lacuna
e uma pergunta,
hoje, existe alguém
à altura da vaga?
Diante da dúvida,
de uma coisa, sabemos,
Steve Jobs foi o cara!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O TEMPO

Tempo de plantar, tempo de colher;
tempo de lembrar, tempo de esquecer.
Tudo tem seu tempo neste mundo,
conforme Jesus Cristo ensinava.

A nossa vida não poderia ser diferente,
somos governados por leis divinas,
regidos por regras perfeitas,
pois criadas pelo Senhor Eterno.

Quantas vezes, sem razão, nos desesperamos
diante da inexorabilidade
dos eventos produzidos pelo tempo
e da certeza da finitude da vida terrena!

Nós temos o nosso tempo.
Nem mais nem menos;
o tempo exato
do nosso merecimento!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CHOVE, CHUVA!

Olho a chuva caindo
na tarde setembrina,
molhando o meu desejo
de caminhar pela rua,
sentir a brisa primaveril
lambendo a minha pele.

Vejo através das janelas
as calçadas lá fora.
Observo as pessoas andando
com os olhos erguidos para cima
esperando, quem sabe, se de repente
o sol apareça e retire
o líquido das nuvens encharcadas.

Ao norte da minha imaginação,
no pulmão verde do mundo,
os homens das motosserras
praguejam há vários dias
por causa da chuva que não pára.
Mas nossas irmãs árvores agradecem
as gotas de felicidade que caem do céu.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ELA VEM CHEGANDO

De onde vem esse cheiro bom
que abre minhas narinas
e me leva até a rua,
absorvendo o ar da matina?

De onde vem esse aroma antigo
que não se encontra em nenhum lugar?
Parece coisa de outro tempo
que põe minha estrutura a balançar!

De onde vem essa cantoria
de rouxinóis, beija-flores, colibris;
do passaredo que há muito tempo
não cantava por aqui?

Agora, a ficha caiu,
eufórico, abri portas e janelas,
estou a espera do novo ciclo que se aproxima:
vem chegando a primavera!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

MÍDIAS

Eu às vezes fico meditando
sobre essas coisas de comunicação eletrônica
e entretenimento virtual
e na maneira como esses modelos
transformaram nossas vidas,
de tal modo que agora
não ficamos um dia desconectados.

Nós; hoje, dependentes de um clic
e de um botão mágico ao alcance da mão,
que vimos de longe,
vimos do tempo do rádio de ondas médias e curtas,
época da tv valvulada, em preto e branco.
Vimos do tempo em que surgiu o primitivo micro computador
de limitadíssimos recursos
- um privilégios das elites -
Justamente nós que crescemos
lendo jornais, revistas, livros;
assistindo as matinês dos cinemas
e interagindo com o mundo
através do velho e bom bate-papo.

Recordemos a revolução provocada pela tv
lá no comecinho dos anos setenta,
época em que o instrumento ficou pop
e colorido no ocidente.
Era o avanço da Aldeia Global,
que Mcluhan havia descrito
sobre o efeito que o rádio e as linhas telefônicas
exerceu na população dos Estados Unidos,
na primeira metade do século passado.
Entretanto, melhor ele houvesse dito
Aldeia de subúrbio ou Aldeia ianque.
Mas ao apagar das luzes do século vinte,
O mundo se transformaria, de fato,
numa pequena Aldeia Global
graças ao advento da Internet.

Hoje, uma parafernália de aparelhos
traz o mundo para dentro das nossas casas.
Em meio a uma imensa gama de informação,
buscamos freneticamente a verdade.
Já perdemos o hábito de buscar a nossa verdade,
adormecida nas profundezas do ser.

Ah, minha gente, vamos fazer um exercício?
Vamos ficar desplugados durante vinte e quatro horas?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

VAIDADE

O castelo da minha vaidade
trepidou de maneira imprevista,
outro dia, enquanto conversava
com alguns amigos.
Era um fim de tarde
e discutíamos com entusiasmo filosófico
algumas questões fenomelógicas,
quando fui abordado por um sujeito
extremamente simples,
de vestir quase andrajoso,
com cabelos e barba por cortar,
tipo esses indivíduos que comumente
chamamos de loucos...
A justificativa lógica da entrada
daquele homem no cenário,
imaginei que seria o achaque de alguns trocados,
entretanto, para a minhas surpresa,
a resposta que obtive ao lhe perguntar
de quanto necessitava, foi:
Senhor, não estou esmolando,
mas sou um homem curioso
e ao ouvir sua palestra desenvolta
sobre temas tão escorregadios,
senti o desejo de lhe fazer uma pergunta.
- Eu sou um diletante, respondi
Mas parece que o homem não me ouviu
e arremessou de pronto:
quero saber quando vai acontecer
o choque do tempo com o espaço?
- Como assim, balbucei!
- Não sei, diga-me o senhor, que é um sábio!
- Mas eu não sei de nada, meu amigo,
apenas especulo, conjecturo...
- Mas da maneira refinada como falava há pouco,
transmitia a ideia de graduação cosmológica
por uma grande universidade.
- Estás enganado, nunca cursei nenhuma faculdade!
- Ah, então o senhor é um poeta, resmungou o homem
e saiu caminhando cabisbaixo, decepcionado...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

INDEPENDÊNCIA OU DEPENDÊNCIA

Imaginemos aquela célebre tarde,
perdida no tempo,
quando Dom Pedro gritou para o mundo:
Independência ou morte.

Também podemos imaginar
que não aconteceu nada daquilo.
O ato de nossa independência pode ter sido menos épico,
mais condizente com a nossa realidade, naquele momento.

Não importa o que haja ocorrido,
interessa mesmo que a 07 de setembro
ou em outro dia qualquer de 1822,
esta terra ganhou carteira de identidade.

Talvez, naquele tempo
o povo nem soubesse qual a diferença
entre colonia e nação,
mas com o andar da carruagem
o Brasil ia mostrando a cara para o mundo.

Entretanto, para o povo,
nunca ocorreu a independência de fato
sempre estivemos dependentes das circunstâncias.
Houve uma época, lá nos anos sessenta,
que tínhamos vergonha do termo patriota,
porque a palavra era muito usada
pelos usurpadores dos direitos civis.

A nação brasileira deve comemorar as coisas boas
que estão a demarcar nossa história.
entretanto, no momento em que começamos
a sentir alegria de sermos brasileiros,
é impossível ignorar,
nossa dependência às mazelas cotidianas:
a dependência ao maus políticos
que se locupletam a custa dos nossos votos;
a dependência da falta de segurança reinante em toda a parte;
a dependência do sistema de educação retrógado;
a dependência de um sistema de saúde sucateado;
a dependência aos foras-da-lei, que não respeitam ninguém,
pilhando, roubando e matando as pessoas
como se estivéssemos dentro de uma guerra civil.

Mas a esperança não pode morrer
acreditemos que tudo passará,
que os novos tempos de paz virão,
que ainda vamos andar sem medo pelas ruas,
que não precisaremos pôr grades de ferro às nossas portas,
que a violência e a maldade hão de sumir, pois, afinal, somos todos irmãos!

Meu Brasil, te amo!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A FAMÍLIA

Porque é noite de domingo e chove,
a família Silva
e os pais do pai
estão sob o mesmo teto.

A mãe diz pro neném:
Filho, mostra prá vó
que a gagueira sumiu!
O menino, de pronto,
descarrega uma saraivada
de palavrões bagaceiros.
A vó, de pelos em pé, pergunta:
netinho, onde aprendeste isso?
Ué, no jardim!

Passado o mal-estar gerado
pelo conhecimento anesteirológico do menino,
a mãe grita prá filha:
Mana, apresenta teus desenhos prá vó!
A menina berra lá do quarto dela :
Agora não dá, tô no Orkut.
- Depois, então, tá!
- Tá nada! Depois navegarei no MSN,
baterei um papo no Facebook, etc...
- Faz uma forcinha, filha!
- Mãê, seguinte, esquece essa coisa
de desenho das Marias mijonas...

O pai, que estava calado
há muito tempo,
vendo o filho mais velho
requebrar o corpo na sacada,
dirige-se ao guri e pergunta
o que ele está ouvindo
no aparelho celular conectado ao ouvido.
- É coisa boa, pai. é Hip Hop!
- O quê! Isso é música, malandro?
- Ora, se o vô chama de música
aquela coisa esquisita
de um tal de Bethovem,
que ele ouve no vinil, então...

A mãe, nervosa, subindo pelos tamancos,
mas procurando manter a calma
como convém a uma dama de estilo,
murmura , quase irritada:
não gosto de domingo;
é um dia que não novelas.

Depois desses episódios,
o pai do pai convoca a mãe do pai:
vamos para a nossa casa
ouvir os pingos da chuva
escorrer pelo telhado

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SETEMBRO

Bom dia setembro
Te saúdo à espera
da nova estação
que vai trazer o aroma
das plantas hibernadas durante o inverno.

Meu jovem setembro,
eu não tenho nada contra agosto
- nenhuma mágoa ou desdita -
pois todos os dias são importantes
na composição do calendário da vida.

Setembro, meu camarada,
proteje a primavera
do olhar dos indivíduos obtusos
que pretendem compuscar o belo.

Setembro, meu velho,
defende a natureza das mãos dos vândalos
que querem destruir o planeta
porque não pensam nas gerações futuras.

Setembro amigo,
guarda o perfume das flores,
a beleza dos girassóis,
a dança do beija-flor
e todas as coisas caras
às pessoas sensíveis.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

MAZELAS

Os estádios serão construídos
em tempo hábil
para a Copa do Mundo
de Dois Mil e Quatorze?

As ruas em torno
dos aeroportos
serão recauchutadas
até a nosso copa?

Os mendigos serão retirados
dos centros da capitais
para não enfeiar o evento da Fifa,
de tal modo que passemos para o mundo
uma imagem digna de inglês ver?

Essas são algumas
das muitas perguntas
feitas pela mídia
nos últimos dias.
Indagações pertinentes
haja vista fomos surpreendidos
na semana passada,
quando o futuro chegou
montado nos cavalos ianques
e as baias não estavam prontas!

Mas o nosso povo, ressabiado,
querendo e não querendo
a realização da copa
aqui no Pa-tro-pi,
está confusa e se perguntando,
por que a mídia não põe
a boca no trombone diariamente
a exigir recuperação do sucateado sistema de saúde;
por que a imprensa não faz campanhas consistentes
em prol da construção de hospitais aparelhados
para que as pessoas dependentes do Sus não morram
na fila de espera por falta de atendimento!
Por quê? Por quê? Por quê?

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O DESEJO DOS HOMENS DE BOA VONTADE

No dia do aniversário de nascimento de Jorge Luis Borges,
grande poeta argentino, saúdo todos os poetas da blogsfera.


.......................................................

Hoje, sabemos que
milagres não ocorrem
da maneira como foram divulgados no passado,
apesar da história estar repleta
de eventos extraordinários,
mas os fenômenos miraculosos
são explicados cientificamente
adrede às leis divinas,
entretanto, o maravilhoso, o transcendente
exercem um enorme fascínio
sobre o cérebro humano
em todas as épocas da civilização.

Ignorando as leis naturais,
o homem vive a expectativa,
sobretudo, nos momentos difíceis
de que milagres aconteçam.

Então, na noite passada,
enquanto eu dormia,
meu espírito se desprendeu do corpo
e, como num filme mágico,
foi para o front da luta armada no oriente.
Vi os combatentes da guerra e da guerrilha
se deslocando na direção
de um ponto imaginário.
A maneira determinada daqueles homens marcharem
induziria a qualquer observador afoito
um confronto de resultado sangrento
mas para a surpresa
do ativista pacífico
mais otimista
aconteceu o inesperado.
No momento em que os batalhões se encontravam,
os soldados jogavam as armas para o alto,
retiravam flautas de dentro dos uniformes
e executavam a canção que John Lenon ensinou.
Abraçados, aqueles homens de etnias diversas
e de pensamento político-religioso variado
pulavam e dançavam felizes,
depois colocaram uma placa enorme no solo
com a inscrição:
"GUERRAS NUNCA MAIS"

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

LIVRE ARBÍTRIO

Nosso tataravô Adão
nos legou
uma carta de princípios
para ser transmitida
de geração à geração:
Necessário cuidar da casa,
usufruir com parcimônia
as coisas inerentes às necessidades.
O planeta não pertence exclusivamente
a nenhum homem,
a nenhum império,
a nenhuma empresa multinacional,
mas a toda criatura
de passagem por aqui.
Nenhum homem pode
assassinar outro homem
nem vilipendiar outro homem
e o homem que zombar do seu semelhante
zombará da criação de Deus!

Passaram-se os séculos e os milênios,
mas o homem meteu os pés pelas mãos
e se tornou avaro em vez de magnânimo,
egoísta no lugar de solidário,
criminoso quando deveria ser fraterno;
enfim, esqueceu de tudo
que ouviu na noite dos tempos.
Agora terá de reaprender
a arte da convivência:
usar o livre arbítrio de maneira sensata.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

FANTASIA

Afora as maldades
que houvermos cometido
em nossa mocidade,
a juventude sempre nos parecerá
a mais bela estação da vida.

Mesmo que as Deusas
não tenham idade,
pois esses seres especiais
existem fora do tempo,
nossas musas inspiradoras
não envelhecerão jamais.

Nós, passageiros na embarcação da existência,
procuramos pelos mares do mundo
as virgens à deriva na praia,
provenientes do território mágico,
anexo à galáxia do sonho;
lá onde a felicidade vive de férias.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

IMPOSTOS

Na segunda metade
do século vinte,
nosso país começou
a conquistar títulos
e não parou mais.

O Brasil foi campeão de futebol,
campeão do salto triplo,
campeão da miséria,
campeão da falta da segurança,
multicampeão de volei,
campeão da ausência de escrúpulos
e campeão do tráfico de drogas.

Hoje o Brasil é campeão mundial
no campo de impostos.
Aqui tudo é tributado.
Pagamos impostos até do ar que respiramos.

Nas campanhas eleitorais
à presidência de república
todos os candidatos prometem
que irão reduzir os impostos,
porém, depois da posse
o assunto é esquecido.

Agora, para contrariar
o lugar comum,
a presidente da república falou
que trabalhará para retirar
da mesa do brasileiros
alguns impostos comensais.
Mas apesar disso, sabemos,
que se por acaso houver
alguma redução tributária
novos impostos serão criados
para compensar as alíquotas
que deixariam de ser arrecadadas.
Então, tudo continuará como antes
no Quartel de Abrantes...


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

PENA DE MORTE

Salvo raríssimas exceções,
as exposições dos motivos
que levam um homem
a matar outro homem
são injustificáveis.

Tu me dirás,
ah, aquele cara
era um facínora
e não merecia
estar conosco.
Mas eu direi,
toda vida
é um desígnio de Deus,
que veio aqui para dar certo,
se nosso irmão
desencontrou o caminho,
não compete a nós
abortar aquela trajetória.

No momento
em que tu apertas
o botão da cadeira elétrica
para cessar os batimentos
do miocárdio do assassino,
nasce um criminoso.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

SE

Se você acordasse de manhã
e ao se deparar com o mundo,
imaginasse que a realidade
é um surto psicótico?

Se num dia qualquer
você adormecesse feliz e tranquilo
qual mestre Panglós,
mas ao despertar, estivesse
com o pensamento fixo em Sartre
e saísse recitando pela rua:
" O homem é um ser inútil "
"Estamos condenados ao fracasso"?

E se você consultasse
o horóscopo, a Cabala, a Rede Globo
e encontrasse três realidades
contraditas entre elas:
a realidade sugerida,
a realidade que mora dentro de você
e a realidade em si mesma,
então, o que você faria?

sábado, 30 de julho de 2011

MARIO QUINTANA

30 de julho,
aniversário natalício
do anjo-poeta
Mario Quintana
nascido há 105 anos.

Porto Alegre
anda diferente;
está mais cosmopolita,
mais árida,
menos poética.

A Rua da Praia
não é a mesma
desde que o poeta partiu
levando consigo
aquele sorriso meio tímido
e o olhar centrado no espaço,
lá onde vivem as musas.

Lembro-me do meu primeiro contato
com a poesia do Quintana;
eu era criança quando minha mestra
recitou na sala de aula
o texto de "Velha História".
Foi o início de uma paixão
que perdura até hoje.

Depois o encontrei no "Caderno de Sábado"
do velho e bom "Correio do Povo".
Eu abria o jornal, lia o texto do Mário
e ficava esperando o sábado seguinte.

Quando li "Quintanares"
poema que o poeta Manuel Bandeira fez
em homenagem ao nosso poeta,
fiquei pensando comigo,
bem, conheço Quintanares,
mas um dia eu hei de falar com o Quintana.

Tempos mais tarde
eu iria encontrá-lo
muitas vezes, na Rua da Praia,
mas nunca tive coragem de abordá-lo.
Sempre que eu o avistava
ficava parado, esperando
meu ídolo passar.

Tudo passa,
neste mundo transitório
ficando apenas a lembrança
dos sonhos armazenados na memória.
E das inúmeras lembranças que trago,
uma delas é a do Mário.
Hoje, meu poeta é saudade,
mas não abro mão dos Quintanares.

domingo, 24 de julho de 2011

DONA PALMIRA

Hoje, dedico essa singela homenagem a Palmira Gobb,
nascida em 1909 e falecida em 1979,
fundadora da Associação Rio-grandense de Proteção ao Animais - APLA -,
pioneira da capital gaucha
Palmira Gobb vivia em meio ao cães, gatos, pássaros e cavalos.

Diante das atrocidades diárias
cometidas contra os animais indefesos
lembro-me daquela mulher pequena,
cara de poucos amigos,
mas de um coração enorme,
brigando na rua,
em prol dos bichos maltratados.

Dona Palmira possuia a fibra
daqueles que labutam sempre,
apesar da falta de recursos, da falta de auxílio,
da falta de compreensão:
são espíritos iluminados
que não desistem nunca,
trabalham no limite das forças
por uma causa justa.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

AMIGO

Depois que o poeta sugeriu
que a gente guardasse os amigos
do lado esquerdo do peito,
pouco restou para se dizer,
exceto, que os amigos
são presentes de Deus.

Os amigos existem para todas as horas,
mas, quantas vezes , os deixamos um pouco de lado,
sobretudo, nos momentos bons das nossas vidas,
entretanto, à época das vacas magras,
os amigos simbolizam os oasis guardados por anjos
para aliviar nossa angústia no deserto da existência.

Tenho uma amiga que sempre fala
frases lindas e edificantes,
mas uma se destaca por sua excelência:
"A amizade é o amor que nunca morre"

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O FUTURO, O PRESENTE E O DIA DE ONTEM

Sei que vocês, meus contemporâneos sexagenários
e meus amigos septagenários, octagenários e todos terciários,
lembram dos chavões que ouvíamos antigamente:
"Deus é brasileiro"
"Deus escreve certo por linhas tortas"
"É necessário dominar a língua inglesa"
"O Brasil é o país do futuro"
Pois é, pois é, pois é ...

O tempo nos ensinou,
que Deus é universal
e escreve de forma retilínea

..................................

O futuro chegou ontem à tarde,
mas não estávamos preparados
para administrá-lo
Agora os americanos estão aprendendo português
e virão aqui gerir nosso presente.

domingo, 10 de julho de 2011

NECESSIDADES

Quais são as necessidades básicas do homem?
À priori, é uma questão aparentemente simples,
entretanto, à medida que meditamos sobre o tema,
nascem as polêmicas.

Num primeiro momento parece,
que o alimento atende
à necessidade primordial humana.
Certo, sem alimento ninguém sobrevive,
mas e as necessidades psíquicas?
Pois é.....................

O mundo industrioso
precisou vender seus peixes,
daí a necessidade da propaganda
e dois passos depois,
a lavagem cerebral
e os novos conceitos
indutores de consumo...

O mundo pós-moderno
produz uma parafernália
de coisas supérfluas,
que por consequência
geram necessidades subjetivas,
as quais quando não satisfeitas,
levam, muitas vezes,
à doença, à neurose, ao crime...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

BRINDES

Antigamente, a rede de Jornais Diários Associados,
propriedade de Assis Chateaubriand,
bonificavam o eleitor
com um selo promocional
anexo às capas das edições impressas.
De posse daquele selo
qualquer cidadão obtinha
algum desconto pecuniário
junto às casas comerciais conveniadas.

Mais tarde, as rádios populares
aderiram à idéia de contemplação,
brindando a audiência dos ouvintes.
As rádios mais elitizadas
renegaram a medida
com a justificativa de que
já premiavam seus audientes
com uma programação de nível superior.

Por fim as tvs pegaram a deixa
e eventualmente oferecem brindes,
através do telefone, aos eleitos
que disserem a programação da emissora
Os prêmios são de natureza diversa.
Alguns canais oferecem
Um sistema de encanamento
instalado na casa do sortedado
que pulveriza o ar de felicidade
ao abrir da torneira.
Muita gente já não dorme
na esperança de que o telefone
toque na madrugada...

terça-feira, 28 de junho de 2011

OS COMERCIAIS, POR FAVOR!

As pessoas mais rodadas, certamente,
ainda lembram
das antigas propagandas de cigarro.
Os mais jovens talvez não saibam
que os comerciais de tabaco eram lindos,
vendiam a idéia de que os fumantes
eram pessoas saudáveis, felizes e inteligentes.

Após algumas décadas de lutas,
a Organização Mundial da Saúde conseguiu
retirar dos meios de comunicação
aqueles comerciais nefastos.

Mas lembremos daquele ditado:
Rei morto. Rei posto!
Pois é, ao cabo da divulgação do cigarro,
a cerveja foi a bola da vez:
artistas famosos atuando em propagandas
de grandes beberagens.

No fim de um comercial televisivo,
de mais ou menos dois minutos,
encharcado de teor etílico,
aparece uma tímida advertência:
beba com moderação.

Do jeito que a coisa vai
não devemos nos espantar
se algum marketeiro sugerir
que se coloque a mão
sobre um fio de cobre desencapado
e ligado à luz elétrica.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

FICÇÃO

Isso que vou lhes contar
parece ficção, mas é ficção
tecida nos liames da realidade.
Algumas metáforas do imaginário
são nada mais que ensaios
da vida cotidiana.

A confraternização popular
à entrada do equinócio,
evento aberto ao desfrute
de todos os trabalhadores
após a jornada diurna de trabalho
defenestrou uma categoria trabalhadora.

Os organizadores do encontro
- homens das mãos sedosas
e de espíritos obtusos -
barraram o ingresso dos garis na festa
- homens de corpos suados e mãos carimbadas -
Os senhores das mãos cuidadas,
excessivamente zelosos
com a limpeza de modo genérico,
violentaram o contrato social
e abortaram a alegria dos lixeiros.
Mas todas as demandas do mundo
cobram o ônus político do ato planejado.
Decorre daí, que toda a ação
acarreta uma reação.
Então, depois da festa,
os catadores de lixo deram o troco
e entraram em recesso compulsivo.

Os senhores da mãos leitosas
exigiram junto ao tribunal do trabalho
o retorno dos grevistas à labuta.
Mas os lixeiros permaneceram
surdos às ordens e às ameaças
do poder estruturado
E por mais absurdiosamente kafkeano
possa parecer, enquanto a cidade
ficava atirada à sujeira e à imundicie,
os garis passavam os dias lendo,
sentados nas praças, os livros de Kafka.

domingo, 19 de junho de 2011

AS CALÇADAS

Minha vida de pedestre
está embaçada.
As calçadas da cidade
já não me pertencem
há muito tempo.

Sinto saudades da época
em que as calçadas
eram conservadas com zelo
para o uso do caminhante.


Os valores antigos
foram jogados
para os bueiros das esquinas,
mas ninguém reclama;
estamos todos apáticos e resignados
diante da usurpação dos nossos direitos.

As calçadas foram tomadas
pelas bancas de revistas,
pela turma dos skates,
pela associação dos desocupados,
pela concentração dos estudantes em frente aos colégios,
pelo condomínio dos mendigos,
enfim, o pedestre foi empurrado para o meio da rua...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Nair

Aos doze anos
fiz meu primeiro poema.
Era de uma singeleza franciscana.

O poema era composto
de quatro linhas
mal rabiscadas
pelas minhas mãos Trêmulas
em consequência do medo
de ser flagrado
no ato de delito:
uma declaração de amor.

O poema era endereçado
à menina Néria,
colega de classe
mas devido a confusão
dos meus garranchos
ele foi parar
nas mãos de Nair
dois anos mais velha,
aluna de outra classe.

Do resultado daquele equívoco
floresceu uma grande amizade
na nossa primeira juventude.

Nair ensinou-me coisas
que eu nunca esqueci.
Ela trouxe-me os autores
que foram meus favoritos
durante muito tempo
como o Eça, o Balzac,
o Jack London...
Ainda apresentou-me Bill Halley e seus cometas,
Elvis Presley, Bob Nelson...

Foram dias de sonhos,
de amizade, de encantamento
e de paixão...

Lembro-me dos dias em que fiquei acamado
em virtude do sarampo.
Naquelas duas semanas
Nair aparecia lá em casa
todas as tardes depois do colégio
e lia em voz alta
os colunistas do Correio do Povo
ou alguma coisa do Mario Quintana.
Outras vezes adivinhava meu pensamento
e escrevia de improviso um poema
que eu gostaria de ter escrito.

Nair não me permitia falar
da atração que eu sentia.
Sempre que eu procurava falar no assunto
chamava-me de bobo,
dizia que eu ainda era criança
e não devia apressar o rio...

Mas um dia a casa caiu.
Nair - com os olhos vermelhos-
abraçou-me emocionada
e falou baixinho:
meu amigo, teremos de ficar afastados
por algum tempo;
minha família está de mudança para o Norte,
pois a empresa em que meu pai trabalha
vai para aquela região.
Mas não te preocupes,
eu voltarei mais tarde
ai tu serás um rapaz feito
e teremos todo o futuro pela frente...

Mas Nair não voltou!

Hoje, passado quase meio século,
quando me lembro daquele tempo
meu coração fica perguntando,
Nair, por onde tu andas?

terça-feira, 7 de junho de 2011

A PET E A CONSCIÊNCIA

O condutor da carroça, distraido
deixou cair uma pet cinco litros, vazia,
tipo recipiente de água,
às três horas da tarde,
no cruzamentos das avenidas
São Pedro com Farrapos.

No instante em que o semáforo
abriu para os pedestres
o vento jogou a pet
para a faixa de segurança.
As pessoas de passagem, indiferentes,
olhavam para a peça plástica
como se ela houvesse nascido
ali no meio do asfalto.

Três rapazes atléticos,
estilo usuários de academia
deram três ou quatro chutes
no utensílio indefeso,
mas por causa do vento
que soprava naquela tarde
a garrafa voltava ao lugar
de passagem dos transeuntes.

A menos de cinco segundos
para abrir o sinal dos carros,
uma moça apanhou o brinquedo dos meninos
e o conduziu por uns duzentos metros
até encontrar um receptáculo disponível
para reciclável na calçada.

Eu, que, extático, observava o evento
senti-me no dever de parabenizar
a atitude desprendida daquela mulher
e no instante em que fazia
fomos ridicularizados por um cidadão
que acompanhava tudo de perto.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A PORTO ALEGRE OCULTA

Fui perceber que
não conhecia a minha cidade
quando a vi despida
num domingo de manhã.

Era mês de janeiro,
um dia de céu encoberto
e não havia ninguém
andando pela rua.

Nos dias comerciais
o coração artificial
da cidade,
composto pelos serviços
e pelo ir e vir incessante
da multidão assustada
com o próprio método de procura
de alguma coisa
que justifique o stress
oriundo das engrenagens modernas,
cria uma cortina de fumaça.

Para se descobrir
os mistérios adormecidos
de uma cidade antiga
é necessário despir-se
de toda idéia preconcebida,
de todo o pensamento valorativo,
isto feito, é possível
penetrar na sua essência
e absorver o seu espírito.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O ESPANTO

Confesso que fiquei assustado
ao rever o amigo de infância
separado por um intervalo
de algumas décadas.

Eu que guardava na lembrança
a imagem daquele menino
escanhoando o rosto pela primeira vez,
aparecia-me agora, à minha frente,
aquele senhor de cara enrugada
e com os cabelos grisalhos.

Pior que o choque foi recíproco.
Meu velho amigo
também não conseguiu disfarçar
a angústia estampada no rosto
e um diante do outro, ficamos
calados durante algum tempo.
Quando conseguimos dizer alguma coisa,
falamos ao mesmo tempo:
precisamos evitar os espelhos!

Passado o primeiro impacto
daquele encontro fortuito
fui saindo da zona de turbulência
e à medida que retornava ao território da razão
refletia sobre as ilusões da existência
e na lógica da realidade transitória.
Confesso que fiquei assustado
ao rever o amigo de infância
separado por um intervalo
de algumas décadas.

Eu que guardava na lembrança
a imagem daquele menino
escanhoando o rosto pela primeira vez,
aparecia-me agora, à minha frente,
aquele senhor de cara enrugada
e com os cabelos grisalhos.

Pior que o choque foi recíproco.
Meu velho amigo
também não conseguiu disfarçar
a angústia estampada no rosto
e um diante do outro, ficamos
calados durante algum tempo.
Quando conseguimos dizer alguma coisa,
falamos ao mesmo tempo:
precisamos evitar os espelhos!

Passado o primeiro impacto
daquele encontro fortuito
fui saindo da zona de turbulência
e à medida que retornava ao território da razão
refletia sobre as ilusões da existência
e na lógica da realidade transitória.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O CAMINHO

Pudesse o homem
tocar o tecido das coisas
agarrar a substância da certeza,
quem sabe uma janela oculta
no espaço incomensurável
entre o cérebro e a mão...

Pudesse o homem
abrir a porta
do quintal cotidiano
desvendar os segredos da vida,
descerrar o véu genético
que envolve a existência
e conhecer a natureza do ego...

Pudesse o homem
à deriva de mares incógnitos
assimilar os ventos
das tempestades interiores
que esfacelam o corpo;
transmutar esses vendavais
em casulos embrionários de auroras...

Pudesse o homem
premido sob o peso
das ações do passado,
esvaziar as mãos,
arejar a mente,
observar as setas
e intuir o caminho,
penetraria na simplicidade das coisas...

O homem peregrino
na estrada do bem
pode penetrar no seu âmago
e despertar a criança adormecida
- guardiã dos segredos do espirito -
e refundir os múltiplos eus,
acoplados na ignorância,
em consciência plena!

terça-feira, 17 de maio de 2011

A FERA

O grito que irrompe
das entranhas da fera
é o mesmo grito lançado
no espaço cósmico
há milhares de anos
no tempo em que eu era
mata, pedra e rio
e medo do desconhecido.

Se agora a fera ruge
é porque a outra fera
egoista e ignorante
exterminou florestas,
plantou cidades,
queimou os campos,
envenenou as águas
e matou a esperança.

Quando a consciência do homem
for tocada
pelos gemidos da terra
que não seja tarde
nem as lágrimas inúteis!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A ILUSÃO DO CAMINHO

Antes de voltarmos
para o planeta
fomos preparados
para caminharmos tranquilos
pelas sendas da terra,
porém, muitas vezes,
a gente aqui se atrapalha
pelas curvas da estrada.
Quase nunca lembramos
de que os caminhos são árduos
Entreges à preguiça,
condicionados à lei
do menor esforço,
diante das encruzilhadas da vida,
relegamos aos planos secundários
os caminhos mais seguros,
porém, menos floridos,
e optamos pelas veredas largas
que conduzem depressa
aos desvios do mundo.
Pois quando sopesamos
as possibilidades de crescimento,
nos deixamos iludir
pelos arautos da permissividade
e ao abaixarmos a guarda
acabamos engulidos
pelas tentações mundanas.
Provavelmente, ao fim da jornada
nossos olhos se abram
diante do vazio da nossa passagem,
então iremos lamentar
a oportunidade perdida.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O CRIME COMPENSA?

Os fihos do Tio Sam
Regozigam-se entre eles
e festejam pelo país inteiro
a morte de Osama Bin Laden.

Um dia após a beatificação
de João Paulo Segundo
o presidente do império americano
falou aos seus confrades
e aos cidadãos do mundo:
"matamos o Bin, agora estamos vingados!"
Falou isso como se houvesse
praticado uma boa ação!

Alguns valores cultivados
pelo homem do século vinte e um
ainda estão bem próximos
daqueles valores manipulados
ao tempo das cruzadas.

As guerras santas não acabaram
e crimes ainda serão cometidos
em nome de ideologias acarcaicas.

O escritor alemão Hermann Hesse
disse no livro O Lobo da Estepe:
o homem traz no seu âmago
"um santo e um bandido"
Gente, está na hora de banirmos
o criminoso que mora dentro de nós
e aderirmos à única ideologia viável:
a ideologia do Amor e do Perdão!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CABRAL

Pedro ficou encantado
quando chegou aqui.
Imaginou ter desembarcado
na Terra Prometida.

Alvares vendo a beleza nativa
da natureza intocada
e o bailado das índias nuas
teve a certeza de que havia
encontrado o Paraiso.

Cabral embriagado com as coisas brasis,
queria ficar morando aqui
mas o rei de Portugal
planejava outros descobrimentos
para o nosso herói.

Pedro Alvares Cabral, triste,
voltou à Europa,
suspirando a saudade
da terra tropical.

Cabral convenceu o império
da necessidade de uma viagem para a Africa,
mas no meio do caminho
fugiu para o Brasil.

Anos mais tarde,
os emissários da coroa
econtraram o navegante metamorfoseado na Bahia,
mas não reconheceram-no, rosto pintado,
com os cabelos compridos
e dançando um batuque marcado
por um bumbo primitivo,
Cabral era um índio.

Alguns séculos depois,
um povo moreno, banido da pátria
e amordaçado pela estupidez humana,
juntou a ginga do corpo e a alegria do sangue
ao ritmo marcial dançado por Cabral
e mostrou o Samba para o mundo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

OS GIRASSÓIS

Houve consternação na vizinhança
quando a polícia prendeu
aquele homem que morava
num casebre perto da praça.

Como fazem isso, eles disseram;
colocam um homem pacato na cadeia
enquanto milhares de malfeitores
transitam impunes pela cidade!

Que crime, aquele homem simplório
havia cometido contra a sociedade?

Simples: para a lei constituida,
ele havia invadido a propriedade pública,
porque plantara umas sementes
no canteiros em torno da praça
As sementes germinaram, cresceram
e floriram nos canteiros,
e a praça, antes tão feia,
se transformou num jardim de girassóis.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

INTERESSES

Um funcionário público,
senhor solteiro,
classe média baixa,
vivia apostando
nos jogos lotéricos.

Ao fazer cinquenta anos
o cara foi contemplado
com o sorteio milionário
da mega sena.

Refeito do choque
do enriquecimento repentino
o sujeito viveu
o dilema sartreano.

O homem suspirava
em meio à angústia:
Meu Deus, como eu era feliz
na minha vidinha de pobre!
Agora, o que farei
para sobreviver
aos transtornos acarretados
pelo excesso de dinheiro?

Após três meses de reflexão,
o homem concluiu que não tinha necessidade
da fortuna que lhe caíra no bolso.
Então, fez aquilo que
pouca gente, neste mundo, faria:
doou todo o dinheiro que havia ganho
às instituições filantrôpicas.

Os sobrinhos do ex-milionário
entraram na justiça contra o tio
e berravam no tribunal:
queremos a morte deste canhalha
que roubou a nossa herança.

sábado, 9 de abril de 2011

MILAGRES

Hoje sabemos que
milagres não existem
do modo como foram
divulgados no passado
apesar da História estar repleta
de eventos extraordinários,
mas os fenômenos miraculosos
são explicados cientificamente
adrede às leis divinas,
entretanto, o maravilhoso, o transcendente,
exercem um enorme fascínio
sobre a mente humana
em todas as épocas da civilização.

Ignorando as leis naturais
o homem vive a expectativa,
sobretudo, nos momentos difíceis da vida
de que milagres aconteçam...

Pois é, na noite de ontem
enquanto dormia,
presenciei um milagre
mas agora nem sei como vou contar!

Como num filme
de realismo mágico,
eu estava no front
da guerra do oriente
e vi combatentes das guerras e guerrilhas
se deslocarem na direção
de um ponto imaginário.
A maneira determinada daqueles homens marcharem
induziria a qualquer observador desavisado
um confronto de resultado sangrento,
mas para a surpresa deste escriba incréu,
aconteceu o milagre:
no momento em que os batalhões
adversários se encontravam,
jogavam as armas para o alto,
retiravam flautas de dentro
dos uniformes e executavam acordes
da música Imagine de John Lenon
e se abraçavam e dançavam na poeira do deserto.
Depois fincaram uma bandeira gigante na areia
com a seguinte inscrição:
"guerra, nunca mais!"

terça-feira, 5 de abril de 2011

OUTONO

O Outono tem
uma pontinha de melancolia,
o Outono tem chuva,
o Outono tem vento
e um bocadinho de frio...

O Outono traz saudade
do verão que passou
e a expectativa do inverno
que vai chegar...

O Outono traz nas suas asas
um pouqinho de tristeza
porque alerta aos jovens
sobre a passagem das estações
e lembra aos mais velhos
a contagem regressiva do tempo...

O Outono traz coisas boas!
As folhas douradas caindo,
desperta o coração do poeta...
As temperaturas amenas
e o ar, às vezes, bucólico:
condições propícias ao romantismo
e ao aconchego dos amantes...

quinta-feira, 31 de março de 2011

31 DE MARÇO DE 1964

Aniversário tem bolo
música, flores, velinhas...
O aniversário de hoje, não.

aniversário tem alegria,
gente contente,
boas recordações...
O aniversário de hoje, não.

Aniversário é a confirmação
de uma data específa,
que comemoramos
revivendo a felicidade pregressa
inerente a um evento especial,
guardado para sempre
na nossa memória.

Mas o aniversário de hoje,
queremos apagar da nossa lembrança:
31 de março de 1964.

segunda-feira, 28 de março de 2011

MENSAGEM PARA GARCIA

Um dirigente do alto
escalão da república
levou um envelope
ao Congresso Nacional
para ser entregue a Garcia.

O líder do Congresso
repassou a missiva
para o líder da Câmara
e este tripassou cópias
para os gabinetes dos ministérios.

Passado um mês,
milhares de pessoas
procuravam Garcia
pelo país inteiro.

O tempo passava,
mas ninguém encontrava
o homem.

Garcia irritou-se
com tanta demora
e foi atrás da mensagem.

Os portadores das cópias,
um a um, foram encontrados por Garcia,
mas eles haviam perdido
as mensagens pelo caminho.

Restava um emissário zeloso
que guardara a mensagem
em lugar seguro,
mas ao encontrar Garcia
não conseguiu entregar o documento,
porque, emocionado,
morreu de parada cardíaca.

sexta-feira, 25 de março de 2011

EUA

O presidente dos Estados Unidos da América
em visita ao nosso país,
na semana passada,
não economizou elogios ao Brasil:
falou da beleza da cidade do Rio de Janeiro,
falou da nossa alegria e da nossa arte,
falou da posição do Brasil na grade
da economia mundial.
Afirmou que o Brasil deixou de ser
um país do futuro,
porque já é um país do presente.

Após digerirmos o efeito do discurso do visitante,
questionemo-nos, o que o moço americano
veio nos vender?

Leonel de Moura Brizola,
de saudosa memória, afirmava:
"O papel de guardiões da democracia,
exercido à revelia pelos americanos
no tabuleiro da polítida internacional,
consiste na manipulação de interésses escusos"
Ele falava assim mesmo, interésse com o "e" aberto, lembram?
Brizola dizia, que a nação imperialista do Norte
cria subterfúgios propícios à infiltração dissimulada
nas economias periféricas para agir com a liberdade
da raposa dentro do galinheiro.

Voltando ao filho do Tio Sam,
perguntemos, será que vamos continuar
comprando o peixe deles?

Hoje, a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos
é totalmente favorável aos gringos.
Nossos produtos são absurdamente taxados no solo americano,
mas em descompensação, compramos todas as bugigangas deles
sem nenhum tipo de agio.

Como devemos-nos posicionar
diante das invasões americanas
a paises de regimes autoritários?
O direito de derrubar um sistema
de governo perverso e prejudicial
a um povo não seria da autonomia
do próprio povo prejudicado?
Quando os americanos interveem na Líbia,
estarão eles consternados
com a sorte dos libaneses
ou preocupados com as usinas petrolíferas,
ou seja, agindo em prol dos seus interésses?

terça-feira, 22 de março de 2011

CATÁSTROFES

Parece que de quando em quando
desastres ecológicos acontecem
para ratificar
a fragilidade humana.

A aparente estabilidade
do planeta terra
é realmente aparente.

As grande transformações
ocorridas neste mundo
aconteceram em intervalos
enormes de tempo
Então, nós os sabiamos
pela tradição.

Porém, nos nossos dias
o planeta parece nervoso,
pois se manifesta através
de instabilidades localizadas:
torós, cheias, enchentes,
furacões, maremotos, tsunamis...

O intelectual mineiro Oto Lara Resende afirmava:
o ser humano só é magnânimo no sofrimento.
Partindo dessa premissa, quem sabe se
as catástrofes sirvam para tocar o coração do homem
e através de um mutirão engajado
abra-se a janela da consciência solidária.

quarta-feira, 16 de março de 2011

POESIA

Nós, poetas, tantas vezes,
nos arvoramos
em escritores da poesia.

Nós, poetas, tantas vezes,
levamos nossa arte
ao encontro do aplauso.

Nós, poetas, tantas vezes,
ficamos desapontados
porque nos foi negado o pedestal.

Nós, poetas, nos nossos momentos de soberba,
esquecemos que somos apenas
o instrumento condutor do verso
porque a poesia preexiste em si mesma

quinta-feira, 10 de março de 2011

O RECADO DO TEMPO

Chega um determinado dia
em que recebemos o oráculo
da pitonisa ampulheta:
já não tens todo o tempo do mundo!

É quando nos deparamos
diante da encruzilhada do tempo;
uma possibilidade de reflexão, talvez,
uma oportunidade de optar, quem sabe:
deixar que a vida nos arraste
pelas curvas cansadas do caminho
ou tocá-la na medida das nossas forças.

sexta-feira, 4 de março de 2011

MASSA CRÍTICA

http://www.youtube.com/watch?v=ZARjUMaOfyQ




No dia 25 de fevereiro,
Porto Alegre foi palco
de um incidente estúpido,
cujas imagens repercurtiram
na aldeia global.

Aqui nasceu um grupo
chamado Massa Crítica,
usuario da bicicleta,
que além do uso corriqueiro
como ferramenta de esporte e lazer
também agrega ao utensílio
a possibilidade de meio transporte não poluente.

Os adpetos do movimento se reunem
na última sexta-feira do mês,
pedalando pelas ruas da cidade.
O evento traz o significado simbólico
de um grito libertário:
uma bike a mais, um carro a menos nas ruas.
Essa forma tranquila de protesto
é uma maneira de reivindicar
à administração pública
a construção de ciclovias na cidade.

Então, no fim da tarde do dia 25
o grupo pedalava pela rua Luiz Afonso
no bairro Cidade Baixa,
e eis que o condutor sinistro
do automóvel preto
acelera o veículo sobre os bicicleteiros
fere quinze pessoas
e foge do local.

terça-feira, 1 de março de 2011

MOACIR SCLYAR

A comunidade judáica
do bairro Bomfim está triste
Porto Alegre está triste
O brasil está triste
Nós, leitores do Moacir Sclyar,
estamos tristes.

Minha memória retrocede
lá para o início da década de setenta
quando "Guerra do Bomfim"
e "O Exército de Um Homem Só"
foram editados e ficaram
por muito tempo na lista
dos mais vendido da revista Veja.
Aquilo foi apenas o começo
da carreira de um grande escritor.

Sclyar foi o escritor da regularidade
em quantidade e qualidade.
Difícil escolher a "obra"
entre mais de setenta...
Eu, modesto leitor, elejo
"O Mês dos Cães Danados"
minha leitura preferida,
um livro alegórico e poético.

Sclyar, jeito simples,
dócil, sempre afável;
comportamento característico
dos espíritos elevados.
Doutor Moacir Sclyar,
médico e escritor, cumpriu bem,
certamente, sua tarefa neste mundo,
trabalhou na medida das suas forças
conforme prega a palavra.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

HORÓSCOPOS

Quando o meu modus vivendi
ficou emaranhado
na teia da aranha mecânica
o guru que administrava
minha vida
confeccionou o meu mapa astral
e eu fique plugado
à constelação correspondente
ao meu signo.

De repente vi-me embrenhado
nas páginas dos compêndios
da literatura astrológica.
Depois de ler os tratados tradicionais
fui das curvas do horóscopo chinês
às intrincadas teorias da horoscopia Maia.

Passei a ouvir diariamente
os programas do rádio
do Omar Cardoso,
da Zara Yonara
e outros menos famosos.
Tornei-me um viciado
na leitura dos presságios
feito um dependente farmacológico
que não sai de casa
sem conduzir uma aspirina no bolso.

Mas no ano passado
os cientistas derramaram
uma montanha de gelo na minha crença
quando falaram sobre
o terceiro movimento da terra,
a precessão dos equinócios,
um evento que fecha o ciclo
a cada 25 mil anos
Então, eu percebi, à luz da razão,
que o oráculo que eu seguia
não falava para mim,
pois os mapas zodiacais
são tábuas móveis
que deslizam no espaço da nossa imaginação...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

JUVENTUDE

Eu, às vezes,
fico procurando
minha juventude,
mas acho que ela
ficou encurralada
na memória,
na retina,
na fumaça.
Será que ela
não ficou armazenada
na curva do arco-íris?

Também,
fico me perguntando,
por que fujo
do tempo presente?
Mas será, que de fato,
o tempo existe?

Outras vezes,
pergunto, divagando,
por que no alvorecer
almejei voar,
queimar etapas,
romper limites
e agora ao vislumbrar o opúsculo
desejo retroceder
nas asas das tartarugas?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

VAMOS SORRIR!

Sisudo pela rua
eu, ontem, ia
remoendo dissabores...

Contabilizando fracassos,
com os olhos rentes
à poeira da via pública.

Na tarde sombria,
à medida que eu andava,
praguejava
pela ausência do sol...

Ao passar pela frente
de uma placa avisando:
sorria, você está sendo filmado,
irritei-me, chutei as pedras,
vociferei: gente besta!

Caminhando sem rumo,
quase enfartei
ao ser carimbado
pela caca dos pássaros
festeiros, sobre a ramada das árvores
que cobriam a calçada,
como se fosse primavera...

Eu xingava à revelia
as aves e o mundo
quando um um homem velho,
jeito de desocupado,
me olhava e emitia
um sorriso de paz.

Atordoado e sem jeito
perguntei ao velhinho,
qual era a graça;
então, ele lançou-me um olhar
de quem veio de um planeta de fora do tempo;
pediu-me calma, muita calma,
depois abriu uma pequena mochila
que trazia agregada às costas
e retirou de dentro um pacote de alpiste,
jogou o conteudo sobre o chão,
e minutos depois, os pássaros
desceram das árvores
e cobriram a calçada
numa enorme folia.

Diante daquele espetáculo,
acabei sorrindo
e falei com o ancião
de maneira tão leve,
uma conduta que eu havia esquecido
há muito tempo
Impressionado com aquilo,
quis saber o que estava acontecendo
e o velho sempre sorrindo, me disse:
vez por outra é necessário
despertar a criança adormecida
que vive no nosso interior,
pois ela quer brincar...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

NÓS SOMOS CONSUMISTAS INCOSCIENTES

Reflitam sobre os comerciais
na tv, na internet,
nos outdoors...
Imagens indutoras do nosso tempo.

Mecanismos modernos calibrados
torpedeiam o homem sem trégua...
A caça acossada procura a caverna
com pouca chance de sucesso...

O consumidor exausto embarca
no trem dos paradigmas consumistas
através da cantilena dos marketeiros
e dos parâmetros técnicos da felicidade
metrificados pelo reflexo das aparências.

O homem contemporâneo, engolido
pelo logro ocidental,
bebe a cantilena dos pregoeiros;
a equação custo-benefício,
subproduto da máquina mercantilista.

O dependente entorpecido pela droga cômoda
já não respira sob o signo das tabelas
escritas, rasgadas, reescritas pela concorrência,
catecismo manipulado da satisfação pessoal
atesta o quadro clínico da criatura:
o homem do século vinte e um.

Talvez um dia no futuro
perpasse a angústia pela consciência
do condutor do rebanho:
o medo do estouro da tropa.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

FELICIDADE

Quando perguntei a minha professora,
o que é felicidade,
ela ficou sacudindo a cabeça
de um lado para outro
por um largo tempo,
sem dizer nada,
como se meditasse
sobre uma questão
de extrema dificuldade
e depois falou
para eu dar tempo ao tempo.


Então fui ao Aurélio
e achei isso:
Felicidade; ventura, contentamento...
Tudo bem, o Aurélio havia falado!
Mesmo assim fiquei com a impressão
de que faltava alguma coisa...

Anos depois, vasculhando no cancioneiro popular,
encontrei no autor da "dor de cotovelo":
Felicidade foi-se embora
e é por isso que eu gosto lá de fora...
Eu não queria saber se a felicidade tinha ido ou ficado,
eu procura uma definição satisfatória.

Na minha juventude,
vi à exaustão,
aquele comercial,
que virou cult:
"A felicidade é uma calça azul e desbotada"

Por outro lado,
as religiões tradicionais, do Ocidente, afirmam,
a felicidade não é deste mundo
mas a conheceremos no paraiso,
aliás; dizem, é um corolário do arrependimento
e não importa o que o indivíduo
haja praticado aqui na terra;
mesmo o pecado hediondo
cometido pelo homem pervertido
será perdoado.
Para isso basta arrepender-se,
ainda que no último instante
antes de apagar a vela...
fácil, né...

Minha gente, digam alguma coisa...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DÍALOGO COM A MINHA CONSCIÊNCIA

Perguntei à minha consciência
quem é o meu irmão?
- Teu semelhante, ela respondeu
- O outro, como no conto do poeta Jorge Luis Borges?
- Pode ser!
- Tu não tens certeza?
- Ora, apesar de muitas vezes, ficção e realidade se justaporem,
há que se extrair daquela apenas o signo, o esteriótipo, o arquétipo...
- Eu nem sei porque estou fazendo perguntas, das quais já conheço a resposta,
entretanto, fico com a estranha e inexplicável sensação de remorso, por que será?
- O teu remorso provém da inútil tentativa de tentar me enganar, pois sabes que
sempre descubro as coisas que tu procuras esconder...
- A minha vida é um livro aberto!
- Entreaberto.
- Mas os meus pensamentos e ações são claros como a luz do dia!
- Procuras vender essa idéia
- Aondes queres chegar?
- Vou te fazer a tua pergunta, quem é o teu irmão?
- São as pessoas que estão no meu meio social, gente com afinidade
de pensamento.
- Sofista!
- Eu?
- Tu. Tu não queres compreender que todo e qualquer homem é teu irmão
e não importa que esse homem viva em outro país, tenha outra coloração
de pele; que habite numa mansão, numa choupana ou de baixo da ponte; que seja diplomata, operário, encarcerado, mendigo...


-

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ANIVERSARIO DO MEU FILHO QUE MORA NO CÉU

Rodrigo, hoje,
com a alma partida
pela saudade eterna,
comemoramos o teu aniversário.

Relembro outra vez
aquela tarde de sábado
de 18 de janeiro de 1986
quando eu aguardava nervoso
no corredor do Hospital Fêmina
e eis que o sistema de som anunciou
às 15 horas e 18 minutos:
familiares de Sheila Moreira,
Rodrigo nasceu.


Era a emoção de pai,
sentimento que nenhuma palavra
é capaz de descrevê-la.

Rodrigo, tu fostes a luz
que iluminou nossas vidas,
diamante raro,
que nos deu tanta alegria.

Nunca pudemos suspeitar
que a tua passagem neste plano
seria breve.

Relembro todo dia
das nossas conversas
sobre os temas mais elevados,
sobretudo, quando tu dizias;
pai, a vida não acaba aqui,
existe uma sucessão de vidas
porque o espírito é imortal
Até parece que o teu espírito
nos preparava
para a tua partida.

Filho, inspirado na tua conduta de vida
tenho me esforçado para melhorar como ser humano
até acho que já avancei alguns pontos;
tenho procurado ser mais tolerante,
menos esgoista, mais resignado,
menos orgulhoso, mais humilde...

Meu filho, sei que agora tu cumpres
tua missão no mundo espiritual
no entanto, muitas vezes parece
que sinto tua presença
junto da gente, aqui em casa.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O PONTO G

Minhas queridas amigas, peço perdão a vocês todas, pela
minha licença poética. Com este poema, não tive o intuito de gracejar
com as mulheres, esses seres maravilhosos, responsáveis
pela perpetuação da espécie e pela evolução do planeta.



O Ponto G

Nada é extático,
o mundo é movimento
e tudo muda
inclusive o ponto do prazer.

Na corrida do sexo
desde a submissão feminina
imposta pela igreja
até a queima dos sutiãs
muitas águas rolaram...

De repente, os tempos novos...
A mulher subiu ao pódio
e, vitoriosa, encontrou o ponto G.

No entanto, o evento
"deu pano pra manga"
e controvérsias no meio científico.
Alguns sexólogos falaram:
o ponto é aqui...
Outros disseram:
o ponto é ali...

Mas a mulher,
esse ser dinâmico
e extraordinário,
não ligou
para o bate-boca acadêmico.
Elas até brincaram com nós, mandriões:
localizamos o ponto G
no templo do prazer,
usando o cartão de crédito
nos Shoppings Centers.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

TIA ANA

Tia Ana
era mocinha
à época da Cinédia
e da Vera Cruz,
quando Oscarito,
Grande Otelo
e Anselmo Duarte
eram os ídolos do povo.

Mas minha tia era apaixonada
- apaixonada mesmo -
pelas novelas do rádio.

Anos depois, minha tia
suspirando saudosa pelas novelas do rádio,
ouvia das filhas:
Mãe, chora, não!
Agora tem telenovela
e tem Claudio Marzo, Sergio Cardoso, Tarciso Meira...

Depois que as filhas casaram,
Tia Ana ouvia das netas:
Vó, tu é uma veia boba
que não gosta de nada
e fica perdendo as novelas,
até entendemos que tu não gostasse
da tv da tua época,
aquela porcaria valvulada,
mas agora a telinha é um barato!
Então, Tia Ana, calmamente dissertava:
a tv, tecnicamente está mil por cento,
entretanto, a qualidade da programação caiu muito
é tanta propaganda, tanto apelo comercial,
tudo se transformou num grande bric...

Na década de setenta
Tia Ana entrou na comunidade
"Nostalgia das radionovelas"
e as integrantes do grupo
se comunicavam por correspondência.
Por mais de trinta anos, Tia Ana
escreveu milhares de cartas
e recebeu outras tantas...
Mas à medida que o tempo ia passando
o grupo foi diminuindo;
muitos senhoras morreram,
outras caducaram...
No último ano havia apenas três integrantes lúcidas:
Tia Ana, Dona Neusa e Dona Laura.
Mas no mês passado, Tia Ana perdeu o juízo
porque Neusa e Laura desistiram das cartas
e aderiram ao Orkut.

sábado, 1 de janeiro de 2011

O PRAZER DE FALAR BOBAGENS

Ano novo, vida nova
palavras da boca do povo.
Quem sabe, a gente toma ao pé da letra
e recomeça tudo de novo?

Que tal regastarmos as coisas simples,
as coisas práticas,
as coisas esquecidas,
as quais já desprezamos?

Acho que será uma boa
reinventar o sorriso,
sem economizar os lábios.
No início será dificil
como são, via de regra, os recomeços.

Agora é a hora de abandonar os velhos hábitos,
os velhos vícios,
as velhas taras;
é hora de cortar o cigarro,
de cortar a cachaça
é hora de cortar...

É tempo de respeitar o ser humano
aceitar todas as raças,
todos os credos,
todas as filosofias.

É tempo de plantar árvores,
desativar a bomba atômica,
apreciar a beleza da lua,
cultivar mais flores,
contemplar o arco-íris
e cuidar dos desamparados.

Seria bom não lembrar dos desmandos das nossas autoridades,
canalizar a sorte,
fiscalizar a corrupção reinante em Brasília,
atravessar o polo norte,
cruzar o caminho das pedras
e esquecer da nossa morte.

É hora de aprender filosofia
com os doidos que andam pelas ruas
É hora de eleger o presidente
Rei Momo Federal
É hora de nomear o jogo de bicho
"O esporte nacional"

É hora de viajar no tapete mágico,
é hora de catar conchas na areia,
é hora de olhar com carinho
aquelas pessoas que dormem sob as marquises,
é hora de entender o juizo final,
ler as entrelinhas do catecismo,
é hora de ensinar a língua portuguesa
aos comunicadores da tv.

Vamos comer do fruto proibido
(a comida está custando os olhos da cara)
Vamos crer na justiça social
(cega, surda e manipulada)
Vamos andar despidos pela cidade
(a roupa tolhe os movimentos)

É Ano Novo, minha gente...
então, vamos falar bem do governo,
vamos jogar conversa fora,
vamos sentir prazer em dizer bobagens,
vamos gozar a felicidade proveniente das coisas fúteis,
vamos fazer de conta que somos espertos,
vamos fingir que somos poetas...