quinta-feira, 24 de junho de 2010

A CARRUAGEM

A carruagem da ilusão
conduz a humanidade
por caminhos insólitos,
vida a fora,
através do tempo.
Tempo de medidas estreitas
para uma vida inquieta
de andar incessante
pelos dias insípidos
e noites insones.
É a eterna repetição
da odisséia humana;
o medo compelindo o homem
a buscar ininterruptamente,
uma pista, um signo, uma estrela,
a chave de um porto seguro.
Por fim ao antever
o ponto de equilibrio
nas aguas do rio da vida
uma voz se faz ouvir:
é hora e embarcar
no carro da partida. 

segunda-feira, 21 de junho de 2010

MISÉRIA

Eu sonhei que sorria sonhando
e sorrindo fui à rua
Era um riso largo
que incomodava os transeuntes,
perturbava o mundo carente de risos,
irritava o homem de terno cinza
e rosto crispado, que falava
feito autômato ao celular.
Mas a alegria foi desaparecendo
à medida que eu me aproximava
do centro da cidade
e deparava-me com a miséria
exposta diante dos meus olhos;
uma miséria diferente
da miséria descrita pelos jornais
e daquela embalada na tv
para a obtenção de pontos no Ibope.
Era a miséria crua estampada
no rosto dos analfabetos,
na boca dos famintos,
na fisionomia dos párias,
no corpo das protitutas,
nos olhos dos assassinos,
no espírito do homem,
nas artérias do tempo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A NATUREZA

Eu amo
os riachos, os regatos, os arroios,
os rios, os lagos, os mares,
as pedras, as árvores, as flores,
as rochas, os montes, os vales
porque eles traduzem
o rosto da eternidade,
entretanto, não sabem que existem.

eu amo
o céu, a lua, as estrelas,
o vento, a brisa, o pôr do sol
porque eles não recitam
o idioma dos homens
mas falam a linguagem
que o meu coração entende.

eu amo
a natureza, a primavera, o beija-flor
o campo, o malmequer, os girassóis
amo-os porque são verdadeiros;
não pensam, não falam, não mentem
mas sabem a dança do universo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

SÍNTESE

A sabedoria oculta
na boca dos incautos
irrita os tímpanos
inabituados à música
das marés.

Os dogmas eternos
exprimem a substância
do minuto espremido
pela mão do relogoeiro,
cansado, no caminho das pedras.

Neste átimo,
no vazio cósmico
o sempre e o nunca;
síntese das eras,
se encontram
aqui e agora