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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O PARADOXO

Gosto das conexões singelas
quando uso a palavra
Gosto de ouvir sons
das combinações
banais, corriqueiras,
intrínsecas à cultura
 popular,
e, às vezes, ponho-me
a retirar do balaio universal
rimas sonoras, ditas pobres,
mas com pesar as rasgo,
porque soam bregas, entretanto,
reconsidero e junto os pedaços
jogados no lixo cultural.
 Sou parte de um povo
que lê pouco;
 um povo  que tem vergonha
de ouvir uma sinfonia de Beethoven.
Mas, enfim, seja como for,
sozinho não mudarei meu país
(apesar de a mudança começar dentro de cada ser),
então, não irei complicar,
porque a simplicidade
(não confundir com ignorância)
é sinônimo de leveza.
É mais fácil sorrir, brincar, amar...

.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

ASSIM, ASSIM...

Ontem foi um dia lindo
Hoje o dia está lindo
amanhá também
vai ser lindo.

Ontem  fez sol
Hoje está ventoso
amanhã vai   chover
em algum canto da terra

Ontem teve chuva
Hoje está meio nublado
Quem sabe, amanhã, talvez
continue, assim,  tempo bom

Hoje está um pouco  frio
Ontem fez um dia morno
Acho que amanhã será quente
mas tudo segue a cartilha.











terça-feira, 7 de novembro de 2017

AZUL -

Se Fernando Pessoa
estivesse aqui, agora,
por certo estaria  radiante
Ele que disse: ver o vento passar
sublimava a condição de existir
Poeta   engajado  pela natureza
estivesse a contemplar o azul
que emoldura a tela
desta tarde turqueza
diria,   convicto,
Esta tarde passa.
Esta vida passará
Mas este azul
irá me acompanhar
para além desta existência.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

PRIMAVERA

Penso que a primavera
mais que uma estação
é um estado de espírito,
época em que a poesia
assenhora-se das almas
sensíveis à beleza
que ainda existe
para quem tem olhos
e os sentidos latentes
E cada primavera
traz algo diferente
ainda que para tantos
todas pareçam semelhantes,
entretanto, nunca não iguais,
porque cada primavera possui
sua marca, seu som, seu néctar.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

EVOLUÇÃO

Civilização e evolução
não caminham pari e passu.
Um indivíduo com algum verniz
 provavelmente enganará aos incautos
e  a si próprio, elegendo a norma
da esperteza como bússola.
O ser evoluído passa ao Norte
dos interesses unilaterais
esquece do umbigo
e olha consternado
a irmandade trôpega.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

CULTURA POPULAR

Engana-se quem pensa
que pessoas simples,
destituídas de algum verniz,
são ineptas em relação
às demandas fraseológicas.
Pois  apesar da bagagem restrita,
essa gente constrói, a seu modo,
ditos sagazes e até  graciosos,
que, por vezes, derrubam as cortinas
que criamos em nosso entorno.
Nós,dependentes
da cultura estratificada,
por conta da nossa soberba,
gostamos de torcer as narinas
à sapiência popular,
como se não houvesse vida
para além das nossas muralhas.
Dentre  as construções  interessantes
que ouço cotidianamente
proferidas pelo povo de pouca  escola,
esta anotei  num caderno:
"Aqueles clarões, antes da chuva,
pareciam caixas de fósforos gigantes,
riscadas em sequência, na vidraça do céu"



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

OS POETAS

Neste dia do poeta, vai esta singela homenagem
aos poetas que reverencio  em primeiro plano.



Quando três poetas famosos
ascenderam ao mundo espiritual,
os mestres dos respectivos artistas
perguntaram o que eles gostariam
de ter feito na terra caso não houvessem
optado pelo mundo das letras.

Jorge Luis Borges respondeu:
gostaria de ter sido ourives
para restaurar com pedras preciosas
a Biblioteca da Alexandria.
Teria revestido com ouro genuíno
o acervo completo da Biblioteca
Nacional de Buenos Aires.
Teria recolhido os vocábulos maltratados
pelas pessoas avessas
ao bom uso da língua
e os lapidados para devolve-los
ao altar do idioma,
porque a palavra é sagrada.

Fernando Pessoa falou:
quisera ter sido um jardineiro
para cantar todas as flores
existentes no mundo,
inclusive aquelas que passam
desapercebidas pelos indivíduos apressados,
e o meu contentamento não teria sido menor
que a alegria de ter poetizado a vida.
Para cuidar das flores
não é necessário criar artifícios
nem dar outro sentido às palavras
além daquele intrínseco às mesmas.
Não é nem mesmo necessário
dar nome às flores.
Também não é necessário filosofia no trato com elas.
Para ler o livro que as flores escrevem na natureza
é preciso apenas ter olhos, olfato, sentimentos
e desapego de toda a vaidade.

Mario Quintana disse:
eu gostaria de ter sido o gestor
de uma biblioteca de sonhos ;
uma casa aberta aos oníricos,
pessoas não compreendidas na terra,
que sonham, solitárias, com medo
de perturbar a vida ordenada
dos indivíduos materialistas
que catalogam como loucura
qualquer atitude não padronizada,
processada pelas pessoas distraídas.
Durante minha vida inteira
fui testemunha ocular
da incompreensão sofrida pelo sonhador;
aaté  questionaram minha sexualidade
- diziam; ah, o Mário não gosta de mulher -
porque eu nunca casei.
Justamente eu, que amava a todas as mulheres,
mas não seria adequado nem recomendável,
que eu entregasse minha vida a uma delas,
pois eu não podia perder a graça das musas,
seres especiais, únicos e caprichosos...
Para completar a questão,
talvez eu não pudesse ter sido outra coisa,
senão aquilo que fui, pois, quem sabe, no fundo,
sonhador e poeta sejam grãos da mesma seara.