segunda-feira, 18 de setembro de 2017

LEIS

É grande o clamor popular  por novas leis,
entretanto, leis são engendradas, neste país,
tal qual as padarias produzem pães,
mas, jazem platônicas nas escrivaninhas.
Leis, aqui, muitas vezes, se parecem
com ornamentos de estátuas canônicas;
existem, mas ninguém sabe para quê.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

VÍCIO?

Fenômeno interessante
acontece nesta cidade:
à medida que fecham
algumas modalidades
de casas comerciais
como cafés p/exemplo,
abrem novas farmácias.
Corrijo-me, a bem da verdade:
os cafés  fecharam há tempos!
Cafés eram negócios rentáveis
naquele tempo em que havia
tempo para cafés e cafézinhos,
mas isso se perdeu no tempo.
Ainda divagando sobre o tempo,
palavra que no fundo é uma metáfora,
a qual estamos submetidos, sem reservas...
mas se vivemos um tempo de farmácias
significa que estamos mais dontes que antes
ou estamos viciados em medicamentos?


terça-feira, 12 de setembro de 2017

O MEDO

Está  na moda falar mal
de  tudo e de todos.
Está na moda falar mal
dos velhos, dos jovens
e dos vizinhos.
Está na moda falar mal
do jornal, da tv e da Net.
Está na moda falar mal
dos amigos, dos inimigos
e dos parentes.
Está na moda falar mal
da esquerda, da direita
e do centro.
Está na moda falar mal.
de tudo, por que estamos
submetidos ao império
do medo.
Sentimos medo porque
o mundo mudou
ou porque o homem
se transformou
num ser focado
no umbigo.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

MAIA

Nossa   percepção  do  tempo
anda  diferente do jeito que era
O tempo está rodando depressa
reduzindo o tamanho dos minutos,
das horas, dos dias, dos anos...

Há quem diga que o tempo, agora,
está usando um  artifício moderno,
um acelerador de partículas elétricas,
que age no corpo do próprio tempo
e na psique de todos os mortais.

Se somos reféns do império de "maia"
uma ilusão a mais, uma ilusão a menos
traça  a trajetória da criatura neste mundo;
se iludidos vemos o tempo passar depressa,
iludiremos as células vitais, existindo mais tempo.

        

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

SETEMBRO CHEGOU

Setembro chegou florido
como se a primavera
vigesse há tempo.
Setembro chegou sorrindo
como se a felicidade
morasse por aqui.
Primavera e felicidade;
dois termos bons
para o verso do poeta.
Primavera e felicidade;
duas palavra agradáveis
ao ouvido do vivente.
Primavera  tem corpo,
tem cor, tem cheiro
e gosta de se mostrar
a toda o mundo.
Já a felicidade é bipolar:
na euforia se escancara,
mas na fase depressiva
finge que foi pra longe.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

POIS ENTÃO!

São tantas asneiras
ditas, todos os dias,
que, às vezes, parece
que morremos enrolados
no manto da tolice.
Toneladas de sandices
despejadas dia-a-dia
nos canais abertos
nos levam a pensar
que nos querem sonsos,
 que nos querem tontos,
que nos querem broncos.
Sempre haverá alguém
que ainda se comoverá
com o canto das sereias
e se deixará conduzir
pelo império da bobagem;
então, cismáticos,
iludidos pela lábia.
dos garotos-propaganda,
os incautos hão de acreditar
que um salvador da pátria
surgirá do nada, trazendo,
anexo à caneta, a fórmula
da felicidade geral

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O DOUTOR, A MOÇA E O BOBO


Quem já não fez besteira
algum dia, na juventude?
Eu me lembro de várias,
mas por vezes  me constrange
a autoria daquelas pixotadas...

Relato aqui um evento ocorrido
 na saudosa década de sessenta,
nas tardes de abril daquele ano
em que os gringos  foram à Lua.

Eu seguia um cara, no centro da cidade,
de segunda à sexta-feira,
por volta da quinze horas,
para saborear o aroma do tabaco
que o cidadão queimava no cachimbo.

Um dia, surpreendido por um amigo
abrigado da chuva na marquise da Casa Massom,
eu, boquiaberto, não tive resposta:
por que todas as tardes daquela semana
eu caminhava atrás da menina morena
desde a Rua Uruguai até até a Galeria Malcon.

Pois eu absorto com o cheiro
do tabaco holandês não percebera
que o distinto senhor engravatado,
seguia platonicamente,á curta distância,
uma bela menina de minissaia