quarta-feira, 26 de abril de 2017

A MÚSICA ORQUESTRADA PELA CHUVA

Ontem à noite desliguei a tv
para ouvir o som da chuva,
esses momentos especiais
custam-me passar batidos

A peculiaridade sonora da chuva
deslisando  sobre   as  lacunas
da composição  tempo/espaço
soou-me  o efeito de um mantra.

Não sei quanto  tempo durou
a chuva na  noite de ontem,
por certo o tempo necessário
para a alma conectar o divino.




segunda-feira, 24 de abril de 2017

PALAVRAS

Às vezes, ainda lembro
de um episódio antigo
que me causou espécie
durante algum tempo.
Havia um cidadão,
leitor de almanaques,
que vivia a recitar
frases espirituosas...
E eis que , um pérola
dita pela criatura
causou-me o efeito
de náusea mal resolvida
Mas o rei tempo é um bálsamo:
esponja das angústias da existência;
 um rio que corre para o infinito
serenando as inquietudes da  alma...
Hoje quando relembro do adágio:
a morte é um momento poético
penso que se reencontrasse
o mentor daquele discurso
talvez lhe dissesse isso:
saberemos se a morte é bela
no momento da nossa passagem!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

SE A HISTÓRIA NÃO MENTE ELE FOI O CARA

Nossos sentidos moram no presente
já que o futuro, sabemos, é utópico.
Entretanto, o retrovisor do pretérito
pode, vez que outra, ser espelho.

E por falar em espelho, recuemos
um tanto, à época do Brasil Colônia
e reverenciemos o nosso mito:
Joaquim da Silva Xavier.

Por vezes pode ser perigoso
ater-se a um passado distante,
mas a válvula aqui é sintomática
ante as misérias do aqui  e o agora.

Numa terra onde faltam heróis
mas sobram mesquinhos e crápulas
o bom exemplo deve ser lembrado:
Joaquim, tu és uma referência limpa!





quarta-feira, 19 de abril de 2017

DIA DE ÍNDIO

Meu pai gostava da palavra indiada,
costumeiramente a inseria na conversa.
Eu que ainda não conhecia o significado
pensava em mil coisas distante do sentido.

Quando soube o significado do vocábulo
o teor impactante do termo foi diminuindo
até desaparecer por completo o entusiasmo
que a palavra causava nos ouvidos do infante

Mas meu pai continuava falando indiada
Dizia que a aluzão era uma homenagem
aos nossos parentes espalhados por aqui:
 índio,  elemento nativo da mestiçagem.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

MACHADO DE ASSIS

Já me chamaram de passadista,
piegas, nada a ver, ultrapassado,
porque  gosto  de ler os  autores
formados na escola de Machado.

Minha  percepção, ávida e inquieta
ainda não encontrou nas nossas letras
autores que superem o elevado padrão
presente no  bruxo do Cosme Velho.

Antigo, clássico, dito fora de moda,
porém, bem difícil de ser superado.
Enquanto a caravana crítica passa
continuarei lendo mestre  Machado



quinta-feira, 13 de abril de 2017

TRISTEZA

 Há quem diga, aqui na Banania,
que já não vale a pena ser honesto,
pois a honestidade está fora de moda,
e  a "esperteza" agora é a bola da vez.
Ah, se a moda pega, dirão daqui a pouco
que o crime ( sobretudo, à sorrelfa)compensa.
Eis a dura, triste e vergonhosa realidade
a qual estamos submetidos, contrafeitos.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

QUE BOM! QUE BOM! QUE BOM!

Ainda era verão,
e uma brisa leve
ventilava o rosto
da tarde nublada
A gente  olhava
para o algodoal
cobrindo o céu,
ficava matutando
na volta do calor,
sugerindo sombra,
picolé de groselha,
banho na água fria.
A gente ficava pensando
no outono que não vinha,
no inverno ainda distante,
no frio dormindo no polo,
nos cenários dos  filmes
rodados nos países  nórdicos
De repente, despertava do devaneio:
que bom, é outono!